O erro na análise sintática
com verbos transitivo-predicativos
Frase 1
Achei o teu livro muito interessante
1. Análise
Suj.: eu; predicado: achei o teu livro; complemento direto: o teu livro; predicativo do complemento direto: muito interessante.
A forma passiva desta frase é assim: O teu livro muito interessante foi achado por mim.
Suj.: o teu livro muito interessante; predicado: foi achado por mim; compl. de agente da passiva: por mim.
Comentário:
Nesta frase, o verbo achar
é PLENO - e a frase declara que alguém achou um livro muito
interessante que estava perdido.
[Não é possível uma interpretação diferente desta! – mas não é isto que o autor da frase pretende dizer!]
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2.
Um leitor, ao ser
confrontado com aquela frase, fica logo surpreendido com o verbo achar –
pois que nada indica que o livro estivesse perdido… Logo, o verbo achar
NÃO é PLENO, não pode ser predicado verbal – mas é portador dum atributo (interessante) com o qual
forma o predicado da frase como os verbos
copulativos.
Eu achei muito interessante
o teu livro; ou, na voz passiva, o teu livro foi achado muito interessante
por mim…
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3. O que é que mudou nestes dois modos
de fazer a análise? - o predicado, apenas o predicado.
Na frase 1, o predicado é formado por um verbo PLENO; é, pois, um predicado verbal. O livro estaria perdido, e o sujeito achou-o. É uma frase gramaticalmente correta, embora não corresponda ao que o autor da frase quis dizer.
Na frase dois, o
verbo achar deixou de ser pleno, envolveu-se com o atributo adjetival “interessante”,
e formou um predicado nominal, como os verbos copulativos.
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Frase 2
Os colegas julgaram a Alice muito
atrevida [quando
JULGAR é verbo PLENO]
Suj.: os colegas; predicado: julgaram a Alice (se fossem juízes); compl. direto: a Alice; predicativo do complemento direto: muito atrevida [a Alice também seria juíza!]
A forma passiva desta frase seria
assim: A Alice, muito atrevida, foi julgada pelos colegas (juízes)
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Quando o verbo julgar não
é pleno, é sinónimo de achar, considerar, ajuizar, emitir opinião…
Neste caso, o predicado não
pode ser formado só pelo verbo, mas unir-se-á a um atributo que será o
núcleo semântico do predicado, assim:
Suj.: os colegas; predicado: julgaram a Alice muito atrevida; compl. direto: a Alice.
E a voz passiva desta frase será assim: A Alice foi julgada muito atrevida pelos colegas. (O sintagma verbal que é predicado, e que sublinhámos, inclui obrigatoriamente o atributo, - o que demonstra que o mesmo atributo fazia parte do predicado na voz ativa,
É assim a Língua
portuguesa!
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