quarta-feira, 2 de setembro de 2026

 O erro na análise sintática
com verbos transitivo-predicativos

Frase 1

Achei o teu livro muito interessante 

1.      Análise

Suj.: eu; predicado: achei o teu livro; complemento direto: o teu livro; predicativo do complemento direto: muito interessante.

A forma passiva desta frase é assim: O teu livro muito interessante foi achado por mim.

Suj.: o teu livro muito interessante; predicado:  foi achado por mim; compl. de agente da passiva: por mim.

Comentário:

Nesta frase, o verbo achar é PLENO - e a frase declara que alguém achou um livro muito interessante que estava perdido.

[Não é possível uma interpretação diferente desta! – mas não é isto que o autor da frase pretende dizer!]

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2.

Um leitor, ao ser confrontado com aquela frase, fica logo surpreendido com o verbo achar – pois que nada indica que o livro estivesse perdido Logo, o verbo achar NÃO é PLENO, não pode ser predicado verbal – mas é portador dum atributo (interessante) com o qual forma o predicado da frase como os verbos copulativos.

Eu achei muito interessante o teu livro; ou, na voz passiva, o teu livro foi achado muito interessante por mim…

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3.      O que é que mudou nestes dois modos de fazer a análise? - o predicado, apenas o predicado.

Na frase 1, o predicado é formado por um verbo PLENO; é, pois, um predicado verbal. O livro estaria perdido, e o sujeito achou-o. É uma frase gramaticalmente correta, embora não corresponda ao que o autor da frase quis dizer.

Na frase dois, o verbo achar deixou de ser pleno, envolveu-se com o atributo adjetival “interessante”, e formou um predicado nominal, como os verbos copulativos.

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Frase 2

Os colegas julgaram a Alice muito atrevida [quando JULGAR é verbo PLENO]

Suj.: os colegas; predicado: julgaram a Alice (se fossem juízes); compl. direto: a Alice; predicativo do complemento direto: muito atrevida [a Alice também seria juíza!]

A forma passiva desta frase seria assim: A Alice, muito atrevida, foi julgada pelos colegas (juízes)

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Quando o verbo julgar não é pleno, é sinónimo de achar, considerar, ajuizar, emitir opinião

Neste caso, o predicado não pode ser formado só pelo verbo, mas unir-se-á a um atributo que será o núcleo semântico do predicado, assim:

Suj.: os colegas; predicado: julgaram a Alice muito atrevida; compl. direto: a Alice.

E a voz passiva desta frase será assim:  A Alice foi julgada muito atrevida pelos colegas. (O sintagma verbal que é predicado, e que sublinhámos, inclui obrigatoriamente o atributo, - o que demonstra que o mesmo atributo fazia parte do predicado na voz ativa,

É assim a Língua portuguesa!

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