A sintaxe do verbo mandar e outros
Quando, em pequeno, eu era aluno de Latim, logo no 1.º ano (lá para o fim) traduzíamos textos das cartas familiares de Cícero e muitos textos do De Bello Gallico, de Júlio César.
Nunca mais me esqueci duma das primeiras frases que me surpreenderam: «Caesar iussit pontem fieri».
Na Língua latina, as orações infinitivas têm o sujeito sempre expresso, e em acusativo. Por isso, César não «mandou fazer uma ponte» a fim de que o exército progredisse no terreno, mas «mandou que uma ponte fosse feita», assim: Caesar iussit pontem fieri. [pontem, em acusativo, é sujeito de fieri (ser feita)].
Em português a Língua permite-nos dizer que «César mandou fazer uma ponte», porque dispomos do infinito pessoal que não existia em Latim. Mas, como em Latim, o verbo mandar seleciona oração infinitiva, e o seu sujeito, se for um pronome pessoal, tem de assumir a forma de complemento, assim:
Eu mandei-te estudar Latim - (-te é sujeito de estudar]
Oração composta
Suj.: eu; predicado: mandei-te estudar Latim; complemento direto: -te estudar Latim.
-te estudar Latim
Proposição subordinada infinitiva, substantiva
Suj.: te; predicado: estudar Latim; compl. direto: LatimEsta análise é a mesma de «o amor fez o poeta sofrer» ou de «o amor fê-(l)o sofrer» em que o sujeito da oração infinitiva (ele) toma a forma de complemento.