sábado, 28 de dezembro de 2024

 

No passado dia 10 de dezembro, uma Colega, do Porto, fazia ao Ciberdúvidas a seguinte

 PERGUNTA 

Na frase: «Foi com ele e com os saudosistas que Pessoa começou a colaborar, ao alcançar a plena maturidade como escritor»,
- qual a oração desempenhada pelo segmento «que Pessoa começou a colaborar» e qual a sua função sintática?'
 
E a resposta do Ciberdúvidas foi:
«A frase apresentada é uma estrutura clivada ou de foco, que corresponde a uma construção que permite focalizar um dos elementos da frase. Neste caso, o foco recai sobre o complemento direto «com ele e com os saudosistas» .
 
Comentário:
Ó Ciberdúvidas, que distração é essa? Então «com ele e com os saudosistas»  é complemento direto?...  Apaguem isso!  
E deviam informar a consulente de que «que Pessoa começou a colaborar» não é oração nenhuma».
 
 A análise dessa frase deveria ter sido assim: 
«Foi com ele e com os saudosistas que Pessoa começou a colaborar, ao alcançar a plena maturidade como escritor»
 
Oração simples 
Suj.: Pessoa; predicado: começou a colaborar com ele e com os saudosistas; complemento adverbial de companhia (ou de colaboração ou comitativo): com ele e com os saudosistas; adjunto adverbial de tempo: ao alcançar a plena maturidade como escritor.
 
 __________
Como escritor: este COMO é um advérbio relativo, equivalente a na qualidade de, e introduz predicativos. Como escritor é predicativo do sujeito, porque referente a Pessoa, que é sujeito.
[Pessoa, ao alcançar a plena maturidade como escritor (na qualidade de escritor) começou a colaborar com ele e com os saudosistas]
 
Foi …que; é…que… são expressões reforçativas ou de realce, extraoracionais.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

«Ela foi a Paris com o João» /«Ela vive comigo»

Diz o Ciberdúvidas:

«Nestas frases, o constituinte «a Paris» desempenha a função de complemento oblíquo, ao passo que os constituintes «com o João» e «comigo» têm a função de modificador do grupo verbal.'(in Ciberdúvidas 38356)».

1.«Complemento oblíquo» e «modificadores do grupo verbal» não são funções sintáticas, mas invenções inexplicáveis que o Ciberdúvidas divulga e que resultam na iliteracia que as avaliações internacionais reconhecem e denunciam.

2. O objetivo da Sintaxe é, apenas, descobrir e poder transmitir o sentido da frase. Quando explicamos um texto a um aluno, dizendo-lhe que «ir a Paris» é um complemento oblíquo, ele não pode entender  o que se lhe diz.  Eu, com muitos anos de estudo, também não entendo. Ir a Paris é o lugar aonde se vai; vir de Paris é o lugar donde se vem;  passar por Paris é o lugar por onde ele passa.

O que se pretende com a Sintaxe é «revelar aos alunos o sentido dos textos» - e isso é fundamental para eles aprenderem a estudar.

3.Modificador do grupo verbal

Como poderá justificar-se que «ir com alguém»  seja modificador do grupo verbal? Modificador do quê?   

«Ir com ele» ou «viver com ele» são apenas complementos adverbiais de companhia. E isso toda a gente  o entende.

A Sintaxe é isto: descobrir e poder revelar o sentido do texto.  
«Modificadores do grupo verbal» e  «complementos oblíquos» são disparates inaceitáveis no estudo da Sintaxe.

 

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

 

O Ciberdúvidas vai às Escolas,

mas vai coxo…

 

Problema grave no estudo da Gramática em Portugal é que muitos professores vivem amarrados a ideias que correram no século passado, e  que ainda persistem por falta de estudo. O mal está em disseminar erros entre alunos e, coisa  muito grave, em escolas do Estado – e os responsáveis não se importam.

Em 21 de outubro e em 13 de novembro, afirmei neste blogue e no Facebook, e justifiquei, que os verbos copulativos NADA têm a ver com predicativos do sujeito, conforme consta na Gramática Explicativa da Análise Sintática, acessível a todos, todos, no GOOGLE Play Livros.

Dois Consultores do Ciberdúvidas, porém, em claro afrontamento ao que nela exponho sobre verbos copulativos, decidiram insistir nos seus erros  sobre o predicativo do sujeito; e, depois de terem ido à escola de Nelas, atingiram agora os alunos das escolas de Díli com soluções que  nada (mesmo nada!) têm de copulativo.

Se consultarem o Dicionário da Academia, observem que as entradas do verbo FICAR, até à 15.ª são todas próprias de verbos PLENOS – e verbo pleno é o avesso de verbo copulativo.  Só no grupo II, quando usado com o sentido de passar a ser, estar ou tornar-se é que o verbo FICAR é auxiliar, leve ou de apoio – e, quando assim, forma predicados complexos. Deveriam corrigir o que disseram aos alunos de Nelas e de Díli.

Caros Colegas, a SINTAXE mudou, mudem os Colegas também – como eu mudei, trabalhando arduamente, investindo na compra de boas gramáticas modernas e aplicando a textos dos nossos melhores escritores aquilo que fui aprendendo. Têm agora à vossa disposição, pela primeira vez – e nada conheço de parecido em qualquer outro país – mais de mil orações e proposições analisadas sintaticamente. Nunca assim se ensinou a SINTAXE.

Esta Gramática Explicativa da Análise Sintática pode ser uma boa muleta na vossa tarefa. Eu estudo Português, Latim e Gramática há 75 anos. E gosto do que faço.

Se nalgum aspeto discordarem da Gramática que vos proponho, não hesitem: exponham anonimamente, nos comentários do meu blogue, a vossa discordância. Farei o que puder para ajudar.

domingo, 24 de novembro de 2024

 


SINTAGMAS ou unidades de análise sintática


 
Pergunta: o vocábulo «divino» desempenha a função sintática de complemento do nome? 
Resposta: o adjetivo «divino» desempenha a função de complemento do nome. 
 
Estão erradas não só a pergunta como, também, a respostaa .
 
Perguntar qual a função sintática dum adjetivo numa frase é não ter em conta que as  unidades de análise sintática são sintagmas; e a resposta «que o adjetivo “divinoé  complemento do nome é tão despropositada como a pergunta. 
 
Quando se fazem perguntas de sintaxe, a resposta deveria ser sempre mostrada pela análise da frase; só mostrando é que as respostas serão credíveis.
 
Análise da proposição relativa: «Por isso vós, ó Rei, que por divino Conselho estais no régio sólio posto», olhai… 
 
- que por divino Conselho estais no sólio régio posto
Proposição subordinada relativa adjetiva
Suj.: que (antec.: Vós, ó Rei); predicado: estais no sólio régio posto por divino Conselho; complemento de agente da passiva: por divino Conselho; compl. adverbial de lugar onde: no régio posto.
___________
Resposta que deveria ter sido dada: o adjetivo divino faz parte dum sintagma preposicionado que desempenha a função de agente da passiva.

 
 

terça-feira, 19 de novembro de 2024

 

A ANÁLISE SINTÁTICA NO SÉCULO XXI 

 

Calaram-se, que a Custódia Planeta tinha lágrimas nos olhos… Sendo uma pobre de Cristo, amiga até de fazer um favor, a inveja, que matou Caim, não a deixava medrar.  (Aquilino Ribeiro - Terras do Demo, p. 274) 

Calaram-se, que a Custódia Planeta tina lágrimas nos olhos
Oração composta
Suj.: elas; predicado: calaram-se; adjunto adverbial de causa: que a Custódia Planeta tinha lágrimas nos olhos.
 
- que a Custódia Planeta tinha lágrimas nos olhos
Proposição subordinada adverbial, causal
Suj.: a Custódia Planeta; predicado: tinha lágrimas nos olhos; compl. direto: lágrimas nos olhos
 
Sendo uma pobre de Cristo, amiga até de fazer um favor, a inveja, que matou Caim, não a deixava medrar.
Oração composta
 
Suj.: a inveja que matou Caim; predicado: não a deixava medrar; compl. direto: -a (ela) medrar; adjunto adverbial de causa: sendo uma pobre de Cristo, amiga até de fazer um favor.
 
- que matou Caim
Proposição subordinada relativa, adjetiva
Suj.: que (antec.: inveja); predicado: Matou Caim; compl. direto: Caim.
 
- a (ela, a Custódia) medrar
Proposição subordinada, infinitiva, substantiva
Suj.: a (ela, Custódia); predicado: medrar
 
- sendo ela uma pobre de Cristo, amiga até de fazer um favor
Proposição subordinada, adverbial, gerundiva
Suj.: ela (Custódia); predicado: sendo uma pobre de Cristo, amiga até de fazer um favor. [amiga até de fazer um favor: aposto ao nome Custódia]

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

 

E voltamos aos predicativos! 
 
As gramáticas definem, e bem, os predicativos como predicações secundárias;  querem assim dizer que predicativo é predicação em segundo lugar na frase (o 1.º lugar é o do predicado).
 Os predicativos, predicações secundárias, são também opcionais (sempre dispensáveis na gramaticalidade de qualquer frase. Queremos com isto dizer que, retirados da frase, ela continuará gramatical, correta. Por outras palavras: predicativo NUNCA tem de estar na frase).  
 
Qualquer predicativo (e só os há do sujeito ou de qualquer complemento) tem uma função exclusiva: predicar secundária e opcionalmente sobre o sujeito ou sobre um complemento. Não há outros predicativos.
 
A frase:
Esta casa é do meu primo Tó não pode ter outra análise que não seja: Suj.: esta casa; predicado: é do meu primo Tó 

Mas poderia receber um ou vários predicativos do sujeito, assim, por exemplo: 
 
Esta casa, acabada de fazer, é do meu primo Tó
Suj.: esta casa; predicado: é do meu primo Tó; predicativo do sujeito: acabada de fazer. 


 


quinta-feira, 7 de novembro de 2024

 

As orações sintáticas não se dividem

Na análise sintática é um erro qualquer tentativa de divisão de orações, porque o sentido da maior parte delas só se completa pela sua ligação a outras.

1.     Uma oração (o sentido duma frase)  pode ser simples, como 

O João disse a verdade  
Oração simples
              Suj.: o João; predicado: disse a verdade; compl. direto: a verdade

Esta oração é simples porque exprime um sentido completo, sem necessidade de recorrer a outra oração para expressão da sua ideia.

2.     Mas a oração 
        O João disse que tu mentes 
        Suj.: João; predicado: disse que tu mentes; compl. direto: que tu mentes

Nesta oração (que é uma oração, uma unidade de sentido) aconteceu que precisou de outra oração para ir ao encontro do seu  complemento direto.

Na oração 1, simples, o complemento direto era um nome a verdade; na oração 2, composta, o complemento é uma oração: (que) tu mentes.

 Quem pode dizer a um aluno que João disse é uma *oração subordinante, não sendo ela, sequer,  uma oração?

Sócrates foi morto sob o pretexto de corromper a juventude. Foi um crime hediondo, causado por um pretexto.

E os professores que publicam gramáticas cheias de disparates não prejudicam gravemente a juventude?

E os professores que, atribuindo qualidade a essas gramáticas, as recomendam e ensinam, não prejudicam gravemente a juventude?

E as autoridades da Língua são ignorantes ou não se ralam?

 

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

 


 O Ciberdúvidas anda distraído da Sintaxe

1. Acabo de ser agradavelmente surpreendido com a decisão de o  Ciberdúvidas ir às escolas levar apoio à formação gramatical dos nossos alunos. Isso é ótimo. Deveria, no entanto,  ter em atenção o tipo de Sintaxe que lhes irá apresentar, porque a Sintaxe dos verbos copulativos explicada aos alunos de Nelas  não é própria deste tempo. A Gramática que lá ouvi  está fora de prazo – dum prazo já muito distante, ainda no século XX.

 

2. Apresento uma oração copulativa simples, assim: hoje está frio.  

Análise: 

Oração simples 

Suj.: não tem (oração impessoal); predicado: está frio; adjunto adverbial de tempo: hoje.

Nesta oração copulativa não se «liga» o sujeito (não o há!)  ao predicado; também não há cópula do verbo com um sujeito que não existe;  não pode ter predicativo do sujeito (porque, não havendo sujeito, não pode haver predicativo dele) - mas é uma oração copulativa! Embora minúscula, esta oração copulativa demonstra como a definição do Ciberdúvidas anda distante da Sintaxe atual.

3. Nos verbos copulativos e atributivos a cópula acontece na união do verbo com o atributo – e  essa união é que forma o predicado. Os verbos copulativos nada têm a ver com predicativos do sujeito.

4. Era meu dever dizer isto, porque poderia alguém, ao ouvir o Ciberdúvidas, pensar (e acreditar) que a Gramática da Analise Sintática que eu publiquei está errada. Mas não; nem fui eu que a inventei: ela resulta do estudo feito em  Academias da Língua; eu apenas assimilei suas ideias e as apliquei na análise de textos de grandes Autores em de Língua portuguesa: Agustina, Aquilino, Camilo, Eça, etc… São mais de 40 autores, e mais de 1300 orações e proposições.

5. Propus à Academia das Ciências a discussão e certificação desta Gramática Explicativa da Análise Sintática, mas nem resposta me deram. Insisti – e o resultado foi o mesmo. Com uma Academia assim, a Sintaxe da Língua portuguesa continuará obsoleta.

Nota: Os verbos copulativos estão na  minha Gramática, nas páginas 5 a 8 - e o acesso a elas está aberto, sem qualquer custo:  https://bit.ly/3Wtcqmu

2. Este texto, além do Facebook está publicado no blogue cibersintaxe.blogspot.com  onde tem uma apresentação mais explícita e onde é fácil comentar.

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

 

Em Sintaxe só inventa quem desconhece o que de há muito é de todos conhecido.

Recentemente, deparei com uma análise sintática inexplicável, em Gramática, publicada  em março de 2023. O autor faz a análise da frase: «O João saiu de carro para a cidade»
Supondo conhecidos o sujeito e o predicado, ele faz a análise dos constituintes preposicionados, assim:
«de carro» desempenha a função sintática de modificador do grupo verbal   
«para a cidade» desempenha a função de complemento oblíquo.

Não é aceitável que um professor proponha tais disparates a Colegas ou a alunos. A frase «O João saiu de carro para a cidade» deve ser ensinada (analisada) em dois momentos:

1. O raciocínio:

A frase fala do João - e diz que ele (João) saiu para a cidade [foi o lugar para onde ele saiu]. Logo: O João é sujeito; o predicado é: saiu para a cidade.

a frase diz-nos ainda que saiu de carro.
de carro é o modo como o João saiu da cidade – ou melhor: foi o meio ou instrumento de que o João se serviu para sair para a cidade.

2. A análise:

O João : sujeito
saiu para a cidade:  predicado.
- para a cidade: complemento de lugar para onde     
de carro:  adjunto adverbial de meio ou instrumento  (podia ter saído de bicicleta, de comboio…)

 Colegas professores de Língua portuguesa, a análise sintática é uma tarefa fundamental no ensino da Língua e, sobretudo, o meio mais eficiente para os nossos alunos aprenderem a estudar.

 Deixem os modificadores, porque, em sintaxe, tal designação  não existe, nem ajudaria a entender nada.

Nesta frase, de carro indica o modo como o João saiu, ou o meio de que João se serviu.  Classificar de carro como modificador do grupo verbal, é um disparate sem qualquer sentido; nem existe em Sintaxe.

-  classificar para a cidade como complemento oblíquo ajudará mais o aluno a descobrir o sentido do que  dizendo-lhe que é complemento de lugar para onde? – Claro que não; nem existe tal complemento em Sintaxe.

Na análise sintática não existem, nem nunca existiram essas aberrações de complemento oblíquo ou de modificador do grupo verbal. A análise sintática tem como objetivo a descoberta e revelação do sentido da frase. Em Sintaxe, procuramos o sentido da frase: quem...? o quê?... como?.... onde?... donde?... para onde? porquê?....de que modo?  com que meio ou instrumento?....a causa... a finalidade... em que tempo...etc....

Só inventa quem desconhece o que de há muito é de todos conhecido.

 

sábado, 5 de outubro de 2024

 

A frase é uma sequência de unidades de sentido
 
Eu peço desculpa por vir para o Facebook fazer análise sintática. Mas este é um serviço que tem de ser feito; a sintaxe é a base do estudo da Língua e condição fundamental para os alunos todos  aprenderem a estudar. Eles precisam urgentemente de olhar para uma frase e de tentar descobrir nela o seu sentido – mas ninguém se importa com eles. Alertei quem me parecia responsável; ofereci-me para discutir esta matéria: ninguém responde; o desinteresse é total. Que pena!

Hoje, dia mundial do professor,  e também título deste blogue desde 2012, a análise incide sobre uma frase de J. Cardoso Pires, que retirei do seu romance O Delfim,  publicado em 1968. É tido como a sua obra prima

_________________
 
Vi-o tratar do carro do Engenheiro, o rosto magro e o nariz sensível comandavam a certeza dos movimentos, enquanto a mão agia solta, como se pensasse. (J. Cardos Pires, O Delfim, p. 270)
O Narrador refere-se a um operário, o Domingos, que tratava habilmente do carro do Engenheiro)
 
Vi-o tratar do carro do Engenheiro
Oração composta
Suj.: eu (implícito na 1.ª pessoa do verbo VER: eu vi…  vi o quê?: - complemento direto: -o tratar do carro do Engenheiro

- o tratar = o Domingos tratar…;  -o é um pronome que é sujeito de tratar. As orações no infinito, em português, são como em Latim: têm o sujeito em acusativo (pronome sob aforma de complemento).

-o tratar do carro do Engenheiro
Proposição (subordinada) infinitiva, substantiva
Suj.: -o (referente: Domingos); predicado: tratar do carro do engenheiro; complemento direto preposicionado: do carro do Engenheiro; compl. nominal de posso: do Engenheiro. 

Esta oração infinitiva e substantiva foi complemento direto na oração composta. Na sua análise ela se tornou proposição. (oração, dentro de oraçã0, é proposição)

- o rosto magro  e o nariz sensível comandavam a certeza dos movimentos, enquanto a mão agia solta, como se pensasse.
Oração coordenada por aposição
Suj.: o rosto magro e o nariz sensível; predicado: comandavam a certeza dos movimentos; compl dir.: a certeza dos movimentos;  adj. adverb. de tempo: enquanto a mão agia solta...
 
- enquanto a mão agia solta como se pensasse
Proposição (subordinada) adverbial temporal
Suj.: a mão; predicado: agia; predicativo do sujeito:  solta, adjunto adverbial de modo: como se pensasse.
 
- como se pensasse
Proposição subordinada adverbial, relativa livre
Suj.: ela (a mão); predicado: pensasse.

Forma passiva: Vi ser tratado por ele o carro do Engenheiro.  
O suj. da voz ativa é, na forma passiva, agente da passiva .

 Ainda alguém terá dúvidas de que o -o, de Vi-o é sujeito da proposção infinitiva?

quarta-feira, 25 de setembro de 2024


Como estudar A SÉRIO a Língua portuguesa?

Com a disponibilidade  da IA, tive  a curiosidade de saber que tipo de respostas dela se obtêm em questões se Sintaxe. E fiz ao Copilot da Microsoft a pergunta seguinte: Copilot, diz-me cá: sendo a primeira abordagem ao estudo duma Língua o conhecimento da sua morfologia, que disciplinas seguintes me sugeres para um seu conhecimento profundo? – e a resposta foi:

1. Sintaxe: Estude a estrutura das frases e como as palavras se relacionam entre si. Isso inclui a análise sintática, concordância e regência.

2. Semântica: Explore o significado das palavras e como elas são usadas em diferentes contextos. Isso ajuda na compreensão e interpretação de textos. Sugeriu, em seguida, a pragmática, a história da língua e, finalmente, a leitura de obras literárias.

Nada de novo, portanto, que viesse alterar as minhas precedências neste estudo, já que eu sempre pus a Sintaxe em primeiro lugar – e tinha que pôr, inicialmente,  por causa do Latim. Com o passar dos anos (estudei latim durante 8 anos + 3 na Faculdade de Letras) a Sintaxe tornou-se-me um modo de pensar que se foi afinando e me permitiu criar um novo modo de a entender – e que, agora, estou a divulgar, por ter como base o sentido do texto,  por revelar a sintaxe dos verbos atributivos,  por resolver o modo de análise das perífrases verbais, por eliminar a divisão de orações, que nunca deveria ter existido, etc. 

Tudo isto pode ser visto sem custos, pois que o acesso, no Google play é livre até à pág. 46. Aceito, e peço, críticas e sugestões de preferência aqui no Cibersintxe. Tudo explicarei e, sendo caso disso, corrigirei.

Depois deste parêntesis, regresso  ao Copilot e ao Gemini, de que falava; nem um nem outro dispõem ainda de estruturas de análise fiáveis a que, no campo da Sintaxe, possam recorrer. Tenho passado algumas horas com eles, e uns dias vejo-lhes progressos, noutros voltam à tradição.

Como é hábito, analisamos hoje um texto de Vitorino Nemésio, Mau Tempo no Canal, 336).

... uma falência, por mais estrondosa que fosse, era a melhor solução, deixando-lhes livres as vinhas de Campo Raso.

Nunca se pode tentar a análise sintática dum texto sem primeiro o lermos atentamente e apreendermos o seu sentido. 
Margarida está a dizer que “uma falência, apesar de ruidosa  no povo, seria a melhor solução, desde que  dessa falência não fizessem parte as vinhas de Campo Raso.

Oração composta

Suj.: uma falência; predicado: era a melhor solução; adjunto adverbial de concessão: por mais estrondosa que fosse.

     Por mais…que; por menos…que; por muito que… introduzem proposições concessivas                intensivas (Bechara, Gramática, p.603)  


- por mais estrondosa que fosse
Proposição subordinada concessiva (intensiva)

[esta oração foi adjunto na oração composta . Por ter desempenhado função sintática na oração composta, recebe agora a designação de proposição].

Suj.: ela (a falência); predicada: fosse estrondosa

- deixando-lhes livres as vinhas de Campo Raso
Proposição subordinada adverbial gerundiva

Suj.: ela (a falência); predicado complexo: deixando-lhes livres as vinhas de Campo Raso; complemento direto: as vinhas de Campo Raso; compl. indireto: -lhes.

(Nas páginas 10 e 11 da Gramática  - de acesso livre até à página 46 - explico minuciosamente a sintaxe do verbo deixar, verbo atributivo.

 

 

 



sexta-feira, 13 de setembro de 2024

 

Era intenção minha dedicar hoje o dia ao estudo do  Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, recentemente renovado pela Academia das Ciências de Lisboa,   mas deparo com o acesso capturado por uma empresa de apostas de jogo que, recentemente, se terá instalado em Portugal. Não sou apostador, mas, se o fosse, duvidaria seriamente da honestidade duma empresa que não olha a meios para atingir os seus fins. A mim prejudica-me há três dias. 

Quis contactá-la por telefone ou mail. Impossível. Dois endereço de mail que indica no site não são aceites para envio; número de telefone, não dei com ele: artimanhas que esse tipo de empresas vem praticar a este pequeno quintal, que é o nosso país perante o deles, e, certamente, com as nossas autoridades distraídas como habitualmente no deles.

 Talvez a Academia das Ciências, tão distraída em questões gramaticais, seja agora mais eficiente na libertação do seu site aprisionado. Resta-me esperar

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

 

SINTAXE

Urgência na sua atualização

Causará espanto que um professor de Língua portuguesa venha para o Facebook fazer análise sintática - como cá estão outros, profissionais ou não, a fazer poesia, a falar de música ou velhos amigos a celebrar encontros, a noticiar sucessos e não só...

É minha opinião que a Língua portuguesa não só tem lugar nesta REDE SOCIAL, mas até que ficará aqui muito bem. Não há nada tão social como a Língua que é propriedade de todos - mas não podemos tolerar que nela intervenha a irresponsabilidade de alguns.  A sociedade definiu autoridades da Língua que serão, suponho, o Ministério da Educação e a Academia das Ciências. Só estes dois órgãos têm poder para determinar e fiscalizar o seu modo de funcionamento que terá nos professores, devidamete licenciados, a responsabilidade de a ensinar. Se estes erram - e a situação atual é profundamente desastrosa - aqueles dois Organismos deveriam intervir.

Há poucos dias entrei numa livraria e peguei numa gramática do 9.ºano: um luxo de imagens, de cores, de espaços em branco. Fiquei surpreendido com tal abundância de imagens: campos verdes com árvores frondosas, animais em liberdade, ribeiras, pássaros voando, garotos cabeludos junto de cabanas em paisagens paradisíacas...  Fugiam-me os olhos, espantados, de imagem para imagem.

Resisti ao encanto, e fui dar uma olhadela à sintaxe. Que  desgraça!  Frases simples, ingénuas, do tipo: o caçador saiu para a caça, e, logo, a frase seguinte: o caçador saiu para a caça cedo. Com esta 2.ª frase os Autores mostravam o que, em sintaxe, é um modificador. Depois havia modificadores apositivos, apositivos do nome e  restritivos do nome... Só ali, quatro modificadores. Mas há mais: do verbo, da frase, de tudo o que se não souber classificar sintaticamente. Também lá estavam (claro!) as orações oblíquas, os predicativos do sujeito pedidos pelos verbos copulativos - e até o verbo ficar, numa frase em que é verbo transitivo preposicionado, era ali apresentado como copulativo. Em resumo: uma gramática que, exteriormante, é um luxo; interiormente, na sintaxe, é uma vergonha. 

A Língua portuguesa não pode ser assim vilipendiada. Não há quem mande nisto? Um país com gramáticas assim... e algumas delas com revisão científica de universidades.

No passado dia 5 de março contactei a Academia das Ciências por carta, propondo-lhe a análise e discussão das primeiras 25 páginas da minha Gramática, a fim de, posteriormente, ser toda discutida e certificada.  Há seis meses! - ainda não acusaram a recepção!

______________

ANÁLISE  
O barão não era tão parvo quanto se presume do título (Camilo, Eusébio Macário, 82).
(Presume-se: deduz-se, tem-se a ideia a partir do título de barão)

 Oração composta
 Suj.: o barão; predicado: não era tão parvo quanto se presume do título

- quanto se presume do título
Proposição subordinada adverbial comparativa
Suj.: não tem (construção impessoal); predicado: se presume do título; complemento adverbial de origem: do título.
(Esta afirmação parece fazer-nos crer que, para Camilo, os Barões eram todos parvos. Mas, depois, em 1885,  não rejeitou o título de Visconde, que era apenas um grau superior ao de Barão).





quarta-feira, 7 de agosto de 2024

 

VERBOS ATRIBUTIVOS

Ontem, como frequentemente, puxei dum livro, já lido e trelido,  A Casa Grande de Romarigães, de Aquilino, e, por mero acaso, caí na p. 263. Fixei-me na frase:

Ruiva, com o nariz arrebitado, magra e flexuosa, chamavam-lhe a Cabra esfolada.

[-lhe: pronome pessoal; o seu referente é Felisberta; chamavam-(n)a ou -lhe "a Cabra esfolada".


Não a chamavam para ela vir ao seu encontro: o verbo não é PLENO; atribuíam à Felisberta um epíteto, uma alcunha: o verbo chamar, nesta acepção, é ATRIBUTIVO. 

Os atributos, já o sabemos,  fazem parte do predicado. As pessoas não chamavam a Felisberta: chamavam-lhe "a Cabra esfolada" 

Os verbos achar, chamar, considerar, e também nomear, eleger (quando seguidos de atributo ou nome de profissão ou cargo, como:  nomear reitor, fazer deputado, eleger presidente ou miss Portugal) …são atributivos. (Ver, na Gramática, as pág. 9 - 25).

 

- o adjetivo  flexuosa não é muito frequente, mas facilmente nos apercebemos da sua relação com a raiz flec - de flectir, flexão - donde o significado de gingona, bamboleante.

ANALISEMOS a frase:  Ruiva, com o nariz arrebitado, magra e flexuosa, chamavam-lhe a Cabra esfolada. 

Oração simples

Suj.: indeterminado (eles, elas, as pessoas); predicado: chamavam-lhe a Cabra esfolada; compl. direto: -lhe; predicativos do compl. direto: ruiva, com o nariz arrebitado, magra e flexuosa.

- o pronome pessoal -lhe (Felisberta) é compl. direto.


O verbo chamar, quando não é pleno, é atributivo. Por isso, o predicado é chamavam "a cabra esfolada". A pessoa apelidada é complemento direto. E temos prova disso bem evidente por informação da própria Língua, que forma  a voz passiva assim: por eles, ela (Felisberta), ruiva, com o nariz arrebitado, magra e flexuosa,  era chamada a Cabra esfolada.

Suj.: ela, ruiva, com o nariz arrebitado, magra e flexuoso.; predicado: era chamada a cabra esfolada;  compl. de agente da passiva: por eles; predicativos do sujeito: ruiva, com o nariz arrebitado, magra e flexuoso.


o -lhe que,  na voz ativa, foi complemento direto, na voz passiva é sujeito.

 Os verbos atributivos formam sempre predicados complexos, e o facto de os linguistas não se terem apercebido do seu modo de funcionamento tem sido causa de erros graves, como já vimos no Dicionário da Academia, na Gramática de Bechara, e estão igualmente espalhados pela Gramática dos Profs. .Celso Cunha e Lindley Cintra.

Os Linguistas podem não os ter visto, mas a Língua e o Latim sempre os tiveram bem presentes.