Regresso aos verbos semicopulativos
Na cadeia chamavam-lhe a cotovia (Eça, Prosas Bárbaras, 134)
De vez em quando, vou
retomando os clássicos de que, afinal, nunca saí: Camilo, Eça, Soeiro Pereira
Gomes, Alves Redol, Nemésio, Torga, Agustina, e muitos outros – com o objetivo
de os ir implantando na Gramática da Análise Sintática que estou a rever (são
mais de 40 Autores!). Neles repousa a
Língua portuguesa, e é neles que ela deve ser estudada.
Peguei ontem nas PROSAS
BÁRBARAS de Eça e deparei, na pág. 134, com uma frase que dá continuidade á
minha insistência na análise dos verbos semicopulativos.
A frase é esta: Na cadeia chamavam-lhe a cotovia.
A frase refere-se à simpatia
que a filha do carcereiro mantinha com os presos. E eles retribuíam, chamando-lhe
“a cotovia”.
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Sobretudo a partir de maio (dias
25 e 29), venho insistindo na sintaxe dos verbos semicopulativos.
Agora quis ver como é que
alguns Assistentes de IA estão a lidar com estes verbos, que tão minuciosamente
tenho explicado e justificado. E propus-lhes a análise da frase de Eça. Infelizmente,
nenhum foi capaz de fazer a análise correta.
Batiam todos no -lhe,
que classificavam de complemento indireto – e depois … faziam da cotovia um
predicativo do complemento indireto; mas não só, como veremos abaixo.
Sugeri-lhes que dessem à
frase a forma passiva, e logo melhoraram a sua análise, pois todos
descobriram que, afinal, o -lhe era complemento direto, na forma ativa, já que,
na forma passiva era sujeito. Mas todos viam um predicativo do sujeito na
cotovia – até que os fui conduzindo à verdadeira análise, que é:
Suj.: eles (os presos);
predicado: chamavam -lhe «a cotovia»; complemento direto: -lhe; adjunto
adverbial de lugar onde: na cadeia.
Na cadeia ela era chamada
a cotovia.
Suj.: ela; predicado: era chamada “a cotovia”; complemento de agente da passiva: por eles (os presos); adjunto adverbial de lugar onde: na cadeia.
Erros comuns de análise:
1. -lhe (complemento indireto). A
forma passiva mostra-nos que é complemento direto na forma ativa e sujeito na
voz passiva:
2. Classificavam de predicativo complemento
indireto “a cotovia” - até que entenderam que “a cotovia” integrava o predicado
do verbo semicopulativo.
3. Um outro erro: classificaram todos “na
cadeia” como modificador do grupo verbal.
E
eu a todos perguntei: diz-me cá, meu Assistente, que proveito tiraria um
aluno com tal classificação?
Reconheceram
que “nenhum” e concordaram com o adjunto adverbial de lugar onde.
E não se esqueçam de que Os Lusíadas, apoiados por um modo de leitura atual e explicados com base em Historiadores modernos, são a base da Cultura portuguesa. Cliquem, sem qualquer custo, em: