De
novo com o Assistente da IA
estudamos o modo de funcionamento
dos verbos ditos transitivo-predicativos
achar, chamar, considerar, eleger,
julgar, nomear e outros
EU:
Meu caro assistente, como explicar aos alunos a
diferença de significado do verbo considerar nas duas frases
seguintes:
A. Eu considero o meu professor de Latim (tenho-o
em alta conta, respeito-o)
B. Eu considero parvo o meu professor de
Grego (desconsidero…)
O MESMO VERBO, em A é PLENO ( eu considero mesmo! estimo-o! gosto do meu professor de Latim!); em B, o mesmo verbo não significa nada disso! O verbo considerar perdeu o seu significado, realçando o valor semântitico do adjetivo PARVO. Como
explicar isto?
1.ª Resposta da IA;
Caso A: «Eu considero o meu
professor de Latim»
Sentido: Aqui, o verbo considerar
é empregado de forma absoluta/autónoma com o significado de respeitar,
ter em alta estima, acatar ou estimar.
Não há aqui qualquer predicativo que
atribua uma qualidade ao professor. O próprio verbo absorve a carga
semântica de «atribuir consideração/valor social ou pessoal». É um verbo
PLENO.
Caso B: «Considero parvo o
meu professor de Grego»
Estrutura: Verbo Transitivo Direto e Predicativo + Complemento Direto (o meu
professor de Grego) + Predicativo do Complemento Direto (parvo).
Sentido: Aqui, considerar funciona como verbo de apreciação
intelectual ou julgamento («julgar», «achar», «reputar»)
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Perante esta interpretação errada da frase B, reagi,
porque a IA está a considerar a presença dum predicativo que aqui não
existe. Este assistente de IA, como todos os outros que tenho consultado, não sabem o que são predicativos. Para eles, predicativos são
os atributos que, ligados aos verbos copulativos, são o PREDICADO das orações
copulativas.
Discuti, expliquei…e demonstrei. Mas a IA só viu,
claramente visto, quando lhe sugeri que formasse a passiva da frase,
assim: O meu professor de grego foi considerado parvo por
mim. Então viu que o atributo adjetival parvo fazia parte
do predicado. Assim, logo entendeu, e até propôs o modo de eu fazer entender aos
meus alunos.
IA:
1. Quando um verbo originariamente pleno como achar, considerar, eleger, nomear… é chamado a ligar-se a um atributo (uma qualidade), ele
deixa de ser pleno e converte-se
num verbo semicopulativo que, por uma processo gramatical, inclui o atributo no predicado - como os verbos copulativos.
Eu
Pois é, meu caro Assistente. Pela forma passiva das
frases, a Língua portuguesa mostra-nos claramente que estes verbos achar,
chamar, considerar, eleger, julgar, nomear, e outros, formam predicados
nominais e não verbais. Gramáticas excelentes, como a de Bechara, na
sua p. 522 – e até o Dicionário da Academia, na entrada PREDICATIVO - e também
o Ciberdúvidas, nos Cadernos da Língua portuguesa (n.º 3, página 40) deviam
corrigir a interpretação errada que propõem.
Finalmente a própria IA, que bem entendeu, até sugere:
1. Verbo Pleno (com significado próprio e autónomo): «Eu considero
o meu professor de Latim.»
O verbo considerar é
pleno, significa estimar/respeitar;
2. mas se o verbo for portador de atributo que lhe altera o significado, passa a funcionar exatamente como os verbos copulativos. Daí a designação de verbos semicopulativos E a análise, na frase: «Eu considero
parvo o meu professor de Grego.»: deve ser feita assim: suj.:eu; predicado: considero parvo o mau professor de Grego; compl. direto: o meu professor de Grego
CONCLUSÃO:
Este assistente de IA reconheceu o modo de funcionamento dum enorme grupo de
verbos que, funcionando como transitivos, apresentam também a
nobre função de serem portadores de atributos, como os copulativos.
Assim é a
Língua portuguesa!
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