A situação caótica do ensino da sintaxe em Portugal empurra-me para a insistência na sua denúncia e para a demonstração da sua prática – apesar de uma e outra me serem bem penosas e muito trabalhosas.
MAS NÃO DESISTIREI.
FRASE:
«E recolherom-se dentro à cidade pessoas da comarca de arredores.»
Pergunta dum professor: «da comarca de arredores» é complemento do nome pessoas?
E a resposta: 'O constituinte «da comarca de arredores» desempenha função de modificador do nome com valor restritivo' (???)
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A ANÁLISE SINTÁTICA DA FRASE É A SEGUINTE:
«E recolherom-se dentro à cidade pessoas da comarca de arredores.»
Oração coordenada copulativa
Suj.: pessoas da comarca de arredores; predicado: recolherom-se dentro à cidade; compl. adverbial de lugar onde: dentro à cidade.
1. A análise sintática é a ciência da linguagem que, numa frase, reconhece os sintagmas e identifica a função que cada um deles nela desempenha. Foi isso que nós fizemos.
2. Não existe a função de «modificador do nome com valor restritivo». Verificamos que alguns Consultores aplicam essa mesma designação aos Apostos - mas ela não existe. É pura invenção sem lógica nenhuma.
3. O sintagma nominal «Pessoas da comarca de arredores» desempenha a função de sujeito.
4. Este sintagma poderia dispensar o adjunto adverbial locativo (lugar donde) «da comarca de arredores”
Porquê?
As pessoas que se recolheram dentro da cidade (lugar onde) vieram dalguma parte. A Língua não obriga a que se diga donde elas vieram. Estamos, por isso, perante uma informação opcional – adjunto adverbial de lugar donde - que, como todos os adjuntos, interessa para a informação, mas não para a gramaticalidade da frase. Por isso, não é complemento.
____________________A resposta do Consultor só deveria ter sido: “da comarca de arredores” é «adjunto adverbial de lugar donde»
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