O amor fez o poeta sofrer
Um colega apresentou dúvidas na análise sintática da frase: «O amor fez o poeta sofrer.».
A sua análise foi:
(1) «[O amor fez] oração subordinante;
2. [o poeta sofrer] oração subordinada completiva infinitiva.»
Ora, isto não faz sentido nenhum!
De seguida, ainda acrescenta: se a frase fosse «O amor fez o poeta infeliz» teríamos um complemento direto («o poeta») e um predicativo do complemento direto («infeliz»). Nada disto está certo!
Frase 1
1.- O amor fez o poeta sofrer
Oração composta
Suj.: o amor; predicado: fez o poeta sofrer; compl. direto: o poeta sofrer
- o poeta sofrer
Proposição completiva, infinitiva, substantiva
Suj.: o poeta; predicado: sofrer
«O amor fez» não é oração. O compl. direto tem de estar expresso por um nome ou por uma oração subordinada substantiva, assim: o amor fez o poeta sofrer. Estamos, pois, perante UMA oração composta. Não existem orações subordinantes.
Frase 2
O Colega admite ainda uma outra hipótese: a oração
«O amor fez o poeta infeliz» que analisa assim: complemento direto («o poeta») e um predicativo do complemento direto («infeliz»). Não!
O amor não fez o poeta, mas fez infeliz…, tonou infeliz…, fez ficar infeliz o poeta. E a análise é: Suj.: o amor; predicado: fez infeliz o poeta; compl. direto: o poeta.
O verbo fazer, aqui, não é verbo PLENO, mas SEMICOPULATIVO, cfr. textos deste mesmo blogue em 1, 15 e 21 do passado mês de maio.
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