sábado, 24 de janeiro de 2026

Ainda a análise da frase “O amor fez o poeta sofrer”

Há uma frase popular que recomenda “no que está bem não se mexe”; e a análise que eu fiz desta oração no blogue precedente não tem alternativa.

Proponho hoje duas orações [estruturalmente iguais a «O amor fez o poeta sofrer»]

1.- Dizem que a terra escraviza (Agustina, A Sibila, p. 76)
Oração composta
Suj.: indeterminado (eles); predicado: dizem que a terra escraviza; compl. direto: que a terra escraviza.

[Dizem não é oração: falta-lhe o compl. direto. Por isso dizemos há dezenas de anos que não há orações subordinantes. Os verbos transitivos NUNCA podem perder o contacto com os seus complementos, sejam eles nomes (substantivos) ou frases (que a terra escraviza).

As proposições (orações subordinadas) são parte de UMA ORAÇÃO COMPOSTA, e nela desempenham função sintática (frequentemente são sujeito ou complemento direto). «que a terra escraviza» é complemento direto de DIZEM. A oração (que a terra escraviza) foi compl. direto na oração composta – mas isto não impede que tenha análise própria com o nome de PROPOSIÇÃO.

- que a terra escraviza
Proposição subordinada integrante, substantiva
Suj.: a terra; predicado: escraviza


2.- Terra que dá desta fruta é boa terra. (Camilo, Eusébio Macário, p.34)
Oração composta
Suj.: terra que dá desta fruta; predicado: é boa terra

- As proposições subordinadas relativas (que dá desta fruta) são adjetivas. Logo, na análise sintática elas ocupam a posição própria dos adjetivos. Por isso, o sujeito desta oração é «terra que dá desta fruta».

- que dá desta fruta
Proposição subordinada relativa, adjetiva.
Suj.: que (antec.: terra); predicado: dá desta fruta; compl direto preposicionado: desta fruta.

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