Luís de Camões, depois da sua morte
1.º Epitáfio
1.Luís de Camões morreu em 10 de junho de 1580, provavelmente no hospital da Ordem dos Frades Menores, de que faria parte Frei José Índio que o terá assistido na hora da morte.
Foi enterrado no adro da Igreja de Santa Ana, à esquerda da entrada principal, em vala “sem letreiro ou campa alguma que mostrasse o lugar de sua sepultura". As despesas de funeral foram pagas pela Companhia dos Cortesãos, uma instituição de beneficência e caridade que pagava funerais a pessoas necessitadas.
2.Depois dum longo silêncio de 15 anos, em 1595, um fidalgo e homem de letras, D. Gonçalo Coutinho (1539-1613), sensibilizado pela miséria da vida e pelo modo como estava enterrado o poeta maior da Língua portuguesa, tomou a seu cargo resgatar a sua memória, fazendo trasladar os seus prováveis restos mortais da campa rasa no adro da Igreja de Santa Ana para o interior da mesma igreja. Sobre essa digna sepultura mandou D. Gonçalo colocar uma campa de mármore (de pedra ou de lousa – três versões com que deparei) – e nela fez gravar o epitáfio seguinte:
AQVI IAZ LUIS DE CAMÕES, PRINCIPE DOS POETAS DE SEV TEMPO: VIVEO POBRE E MISERAVELMENTE, E ASSI MORREO. ANNO DE M. D. LXXIX.
3.Algum tempo depois (não conseguimos saber a data), foi gravada na mesma campa um outro Epitáfio, em Latim, às custas de D. Martim Gonçalves da Câmara, depois de autorizado por D. Gonçalo Coutinho.
No próximo texto, com a versão em latim e a respetiva tradução, prestaremos informações sobre o 2.º epitáfio.
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