sexta-feira, 14 de agosto de 2026

De novo com o Assistente da IA
estudamos o modo de funcionamento dos verbos ditos transitivo-predicativos
achar, chamar, considerar, eleger, julgar, nomear e outros

EU:

Meu caro assistente, como explicar aos alunos a diferença de significado do verbo considerar nas duas frases seguintes:

A. Eu considero o meu professor de Latim (tenho-o em alta conta, respeito-o)

B. Eu considero parvo o meu professor de Grego (desconsidero…) 

O MESMO VERBO, em A é PLENO ( eu considero mesmo! estimo-o! gosto do meu professor de Latim!); em B, o mesmo verbo não significa nada disso! O verbo considerar perdeu o seu significado, realçando o valor semântitico do adjetivo PARVO. Como explicar isto?

1.ª Resposta da IA;

Caso A: «Eu considero o meu professor de Latim»

Sentido: Aqui, o verbo considerar é empregado de forma absoluta/autónoma com o significado de respeitar, ter em alta estima, acatar ou estimar.

Não há aqui qualquer predicativo que atribua uma qualidade ao professor. O próprio verbo absorve a carga semântica de «atribuir consideração/valor social ou pessoal». É um verbo PLENO.

Caso B: «Considero parvo o meu professor de Grego»
Estrutura: Verbo Transitivo Direto e Predicativo + Complemento Direto (o meu professor de Grego) + Predicativo do Complemento Direto (parvo).
Sentido: Aqui, considerar funciona como verbo de apreciação intelectual ou julgamento («julgar», «achar», «reputar»)

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Perante esta interpretação errada da frase B, reagi, porque a IA está a considerar a presença dum predicativo que aqui não existe. Este assistente de IA, como todos os outros que tenho consultado, não sabem o que são predicativos. Para eles, predicativos são os atributos que, ligados aos verbos copulativos, são o PREDICADO das orações copulativas.

Discuti, expliquei…e demonstrei. Mas a IA só viu, claramente visto, quando lhe sugeri que formasse a passiva da frase, assim: O meu professor de grego foi considerado parvo por mim. Então viu que o atributo adjetival parvo fazia parte do predicado. Assim, logo entendeu, e até propôs o modo de eu fazer entender aos meus alunos.

IA:
1. Quando um verbo originariamente pleno como achar, considerar, eleger, nomear… é chamado a ligar-se a um atributo (uma qualidade), ele deixa de ser pleno e
converte-se num verbo semicopulativo que, por uma processo gramatical, inclui o atributo no predicado - como os verbos copulativos.

Eu

Pois é, meu caro Assistente. Pela forma passiva das frases, a Língua portuguesa mostra-nos claramente que estes verbos achar, chamar, considerar, eleger, julgar, nomear, e outros, formam predicados nominais e não verbais. Gramáticas excelentes, como a de Bechara, na sua p. 522 – e até o Dicionário da Academia, na entrada PREDICATIVO - e também o Ciberdúvidas, nos Cadernos da Língua portuguesa (n.º 3, página 40) deviam corrigir a interpretação errada que propõem.

Finalmente a própria IA, que bem entendeu, até sugere:

1. Verbo Pleno (com significado próprio e autónomo): «Eu considero o meu professor de Latim.»

O verbo considerar é pleno, significa estimar/respeitar;

2. mas se o verbo for portador de atributo que lhe altera o significado, passa a funcionar exatamente como os verbos copulativos. Daí a designação de verbos semicopulativos  E a análise, na frase: «Eu considero parvo o meu professor de Grego.»: deve ser feita assim: suj.:eu; predicado: considero parvo o mau professor de Grego; compl. direto: o meu professor de Grego

CONCLUSÃO: Este assistente de IA reconheceu o modo de funcionamento dum enorme grupo de verbos que, funcionando como transitivos, apresentam também a nobre função de serem portadores de atributos, como os copulativos. 

Assim é a Língua portuguesa!

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