quinta-feira, 10 de setembro de 2026

 Uma brincadeira que parece leviana,
mas é muito séria

1.Achei o teu livro na biblioteca da Escola

2.Achei o teu livro muito interessante

Nunca devemos iniciar a análise sintática duma frase sem prestar uma profunda atenção ao verbo do predicado. Nas duas frases que nos servem de tema, deveremos pensar: eu achei um livro, ou achei interessante um livro?

Se eu achei um livro que estivesse perdido, o verbo é PLENO, robusto, senhor do seu nariz; achei mesmo o livro! E a análise é: suj.: eu; predicado: achei o teu livro; complemento direto: o teu livro; adjubto adverbial de lugar onde: na biblioteca da Escola

Mas, na frase 2

o sujeito (eu) não achou um livro que estivesse perdido, mas achou interessante um livro;como quando eu chamo o João para a aula (verbo pleno - e ele vem ter comigo e vamos juntos para a aula) - ou chamo parvo o João, e ele não vem ter comigo, mas vem ajustar contas comigo…

Não tenhamos qualquer dúvida: os verbos são como as pessoas; enamoram-se, por vezes, de atributos que venham ao seu encontro e, juntinhos, perdem ocasionalmente a sua identidade e formam predicados copulativos. Sim! - estes verbos são mesmo malandrecos como as pessoas. Os mais atrevidos, os que mais frequentemente abandonam a solidão de verbos PLENOS para acasalarem com atributos são, como temos vindo a dizer, achar, eleger, julgar, chamar, considerar, nomear e outros

Ao depararmos com qualquer destes verbos, prestemos atenção ao seu significado na frase: se serão verbos plenos (com todo o poder e significado em si mesmos), ou se perderam a sua plenitude, copulados a qualquer atributo e tornados copulativos (semicopulativos, por respeito aos verbos ser, estar e parecer que não passam de simpáticos burrinhos de carga ao serviço dos atributos.

A Língua dispõe dum processo que nos revela, por meio da forma passiva da frase, a cópula oculta do verbo com o atributo - é a forma passiva que a denuncia com toda a clareza, assim: O teu livro foi achado muito interessante por mim.

É assim a Língua portuguesa!


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