O termo ou complemento das preposições
[A, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, por, para, sem, sobre, trás]
Hoje analisamos uma oraçãozinha (diminutivo por influência de Eça de Queiroz!).Parece tão simples a sua análise que até causará surpresa aos colegas que vão seguindo este blogue. Mas…
1. Desde que a água abundava, a cascatazinha era deliciosa (Eça, Os Maias, p.6)
Oração composta
Suj.: a cascatazinha; predicado nominal: era deliciosa; adjunto adverbial de tempo: desde que a água abundava (desde que ou desde quando a água abundava)
Que (quando) a água abundava
Proposição relativa livre
Suj.: a água; predicado verbal: abundava
Este que (em desde que) é pronome relativo, porque é termo ou complemento da preposição desde. As preposições exigem complementos nominais (também chamados TERMOS da preposição). Quando uma oração (proposição) é iniciada por desde que, e o seu predicado esteja no modo indicativo, o que equivale a quando (advérbio relativo) e introduz uma proposição relativa livre.
Mas, se a frase for como a seguinte:
2. Tudo era tolerado desde que se pagassem os impostos… (Eça, Os Maias, p.130)
Oração composta
Suj.: tudo; predicado nominal: era tolerado; adjunto adverbial ou circunstancial: desde que se pagassem os impostos
Desde que se pagassem os impostos
Proposição adverbial condicional, [introduzida pela locução conjuncional desde que]
Suj.: os impostos; predicado: se pagassem (fossem pagos - passiva reflexa)
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Locução conjuntiva ou conjuncional: resulta da união de duas ou mais palavras que, como as conjunções, ligam (introduzem) uma oração subordinada (proposição) à oração principal.
Abundam na Língua portuguesa as locuções conjuntivas ou conjuncionais, formadas pela partícula QUE antecedida de advérbios, de preposições e até de particípios: desde que, antes que, já que, até que, dado que, posto que, visto que, etc.
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Quando eu era professor, as minhas primeiras aulas começavam pela récita das preposições: (a, ante, após, até, com, contra, de); depois de todos saberem estas de cor, seguia-se a série das seguintes. Os meus alunos sabiam mesmo as preposições... e é imperioso que as saibam. Elas são os sinaleiros que comamdam as palavras para vários sentidos...
Para a análise sintática, que é o fundamento da aprendizagem da Língua portuguesa, e que é o único caminho de acesso à LITERACIA, é imprescindível este conhecimento.
O segundo processo do meu modo de ensinar a Língua portuguesa era a explicação da formação dos tempos verbais. Quando aprendiam um verbo, ficavam a saber conjugá-los (quase) todos. Agora já não é assim...