segunda-feira, 2 de setembro de 2024
quarta-feira, 7 de agosto de 2024
VERBOS ATRIBUTIVOS
Ontem, como frequentemente, puxei dum livro, já lido
e trelido, A Casa Grande de
Romarigães, de Aquilino, e, por mero acaso, caí na p. 263. Fixei-me na frase:
Ruiva, com o nariz arrebitado, magra e flexuosa, chamavam-lhe a Cabra esfolada.
[-lhe: pronome pessoal; o seu referente é
Felisberta; chamavam-(n)a ou -lhe "a Cabra esfolada".
Não a chamavam para ela vir ao seu encontro: o verbo não é PLENO; atribuíam à Felisberta um epíteto, uma alcunha: o verbo chamar, nesta acepção, é ATRIBUTIVO.
Os atributos, já o sabemos, fazem parte do predicado. As pessoas não chamavam a Felisberta: chamavam-lhe "a Cabra esfolada"
Os verbos achar, chamar, considerar, e também nomear,
eleger (quando seguidos de atributo ou nome de profissão ou cargo, como: nomear reitor, fazer deputado, eleger
presidente ou miss Portugal) …são atributivos. (Ver, na Gramática, as pág.
9 - 25).
- o adjetivo flexuosa não é muito frequente, mas facilmente nos apercebemos da sua relação com a raiz flec - de flectir, flexão - donde o significado de gingona, bamboleante.
ANALISEMOS a frase: Ruiva, com o nariz arrebitado, magra e flexuosa, chamavam-lhe a Cabra
esfolada.
Oração simples
Suj.: indeterminado (eles, elas, as pessoas); predicado: chamavam-lhe a Cabra esfolada; compl. direto: -lhe; predicativos do compl. direto: ruiva, com o nariz arrebitado, magra e flexuosa.
- o pronome pessoal -lhe (Felisberta) é compl. direto.
O verbo chamar, quando não é pleno, é atributivo. Por isso, o predicado é chamavam "a cabra esfolada". A pessoa apelidada é complemento direto. E temos prova disso bem evidente por informação da própria Língua, que forma a voz passiva assim: por eles, ela (Felisberta), ruiva, com o nariz arrebitado, magra e flexuosa, era chamada a Cabra esfolada.
Suj.: ela, ruiva, com o nariz arrebitado, magra e flexuoso.; predicado: era chamada a cabra esfolada; compl. de agente da passiva: por eles; predicativos do sujeito: ruiva, com o nariz arrebitado, magra e flexuoso.
o -lhe que, na voz ativa, foi complemento direto, na voz
passiva é sujeito.
Os Linguistas podem não os ter visto, mas a Língua e o Latim sempre os tiveram bem presentes.
segunda-feira, 29 de julho de 2024
PREDICADOS COMPLEXOS
Vimos no post anterior que é verbo pleno o verbo
ACHAR na frase: ACHEI UMA MOEDA NA MINHA RUA , - mas que na
frase EU ACHO A MINHA PROFESSORA MUITO SIMPÁTICA, o verbo achar não acha
nada, mas manifesta a sua opinião sobre a professora. Neste segundo caso, o
verbo achar é atributivo (veicula um atributo, que é o elemento central do predicado, dando origem a um predicado complexo (p. 20).
A sintaxe dos verbos atributivos (semicopulativos) tem sido
negligenciada, mesmo ao mais alto nível das gramáticas em Língua portuguesa. Na
excelente Gramática da Língua Portuguesa, de Bechara, na sua página 522, faz-se
a seguinte análise: Frase: NÓS LHE
CHAMÁVAMOS DOUTOR - e BECHARA atribui a DOUTOR a função de predicativo
do complemento indireto - donde deduzimos que a sua análise total só pode ter
sido assim: Suj.: nós; predicado:
chamávamos; compl. indireto: lhe; predicativo compl. indireto:
doutor. Mas tal análise é inaceitável.
E que ninguém pense que se trata de opinião minha, porque a
própria Língua serve de prova, pelo modo como forma a passiva desta frase,
assim: ele era chamado doutor
por nós - e esta forma passiva da
frase não tem discussão possível. Nela vemos que o LHE, que na voz passiva
tomou a forma ele (sujeito) tem
de ser compl.. direto na voz ativa.
A causa do erro de Bechara foi o facto de não ter tido em conta que o verbo chamar é semicopulativo; e, nessa acepção copulativa, o predicado é chamar doutor. A análise desta frase só pode ser assim: : Suj.: nós; predicado: lhe chamávamos doutor; compl. direto: -lhe. [Tratamos este tema nas p. 19 a 25 da Gramática).
O mesmo descuido persiste no
Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa que, na entrada PREDICATIVO, faz
a análise seguinte: na frase «CONSIDERAVA AQUELA GENTE SIMPÁTICA», afirma: «simpática» exerce função de nome predicativo
do complemento direto». Claro que se trata dum erro! Nem aqui há nome, nem
predicativo do compl. direto. Tal análise deveria ser corrigida para:
predicado: considerava aquela gente simpática; compl. direto:
aquela gente.
O sistema linguístico dá-nos
razão pelo modo como forma a voz passiva : suj. aquele gente;
predicado: era considerada simpática.
E não esqueçamos: o
atributo que vem depois dum verbo copulativo é o elemento central do predicado
(Gramática, p 5)
sábado, 13 de julho de 2024
Verbos
copulativos ou atributivos
1. O Dicionário da Academia das Ciências, e muitas gramáticas, definem assim os verbos copulativos: os que, numa oração estabelecem a ligação entre o nome predicativo do sujeito e o sujeito. Mas a existência de orações copulativas sem sujeito é prova de que esta definição está errada.
2. Deparámos muito recentemente, numa
Gramática de credibilidade firmada, com uma oração assim: Hoje está um
dia de calor. E a análise sintática que propõe é esta: sujeito não tem; predicado:
está um dia de calor; *predicativo do sujeito: um dia de
calor.
Como é que UMA ORAÇÃO SEM SUJEITO poderia ter predicativo do sujeito?
Mais ainda: mesmo que a frase tivesse sujeito, nunca qualquer verbo atributivo
(ser, estar, parecer e outros) aceitaria predicativos do sujeito.
3. Também no Dicionário da Academia das Ciências se afirma que na frase «A criança está contente», «contente»
exerce a função de nome predicativo do sujeito. Mas não. Os verbos atributivos (como ser, estar,
parecer e outros) atribuem ao sujeito qualidades de que eles, verbos
atributivos, são apenas portadores. Daí o nome de
atributivos. Os verbos atributivos são veículos de predicados.
Nas frases: tu és parvo; tu és inteligente a palavra à direita do verbo atributivo (parvo e inteligente) é que é a parte mais importante do predicado; é a única que
traz informação semântica, a única que exprime uma ideia.
Qual, então, a função dos verbos atributivos? Além de servirem de veículo ao predicado, prestam informação gramatical: pessoa, tempo, modo, aspeto…
Na frase O João está triste o verbo estar (atributivo) atribuiu ao João esse atributo (que é o predicado).
Suj.:
o João; predicado: está triste
Os atributos são palavras lexicais (com significado próprio). Quando
veiculadas por verbos atributivos estas palavras formam predicados; quando,
opcionalmente, se juntam a um substantivo para o qualificar são predicativos do
sujeito ou de qualquer complemento.
terça-feira, 2 de julho de 2024
Depois
duma ausência longa, motivada por um trabalho exaustivo na elaboração duma Gramática
Explicativa da Análise Sintática, é meu privilégio poder apresentar as
minhas duas únicas publicações que são, de facto, testemunhos profissionais, que
designei de ACESSIBILIDADES.
Na
realidade, é essa a função de qualquer professor: tornar acessível
a disciplina ou matéria que os alunos
devem aprender. Por isso, o objetivo primeiro do meu trabalho sobre Os Lusíadas
foi torná-los acessíveis a todos os
falantes de Língua portuguesa.
Também a
Gramática Explicativa da Análise Sintática tem a mesma finalidade: tornar
acessível o sentido mais recôndito de cada frase. Por isso, propomos um
novo processo de análise, bem como uma atualização de conceitos há muito
ultrapassados.
Analisamos,
explicamos e demonstramos mais de 1300 orações e proposições que retirámos da
Literatura em Língua portuguesa. Por aqui vão passando cerca de 40 Autores, com
quase uma centena de obras publicadas.
Os dois livros estão acessíveis:
Os Lusíadas, em:
https://play.google.com/store/books/details/Virg%C3%ADlio_C_Dias_Os_Lus%C3%ADadas?id=Z0gAEAAAQBAJ
A Gramática
Explicativa da Análise Sintática em:
https://www.kobo.com/pt/pt/ebook/gramatica-explicativa-da-analise-sintatica
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Estou
sempre disponível em: