Testes sintáticos
Andam por aí gramáticas que, para se fazerem crer ao identificarem funções sintáticas, recorrem a “testes pergunta-resposta” que tanto podem valer para demonstração dum argumento como do seu contrário. A sua pretensa validade depende só do modo de perguntar para se obter a resposta que se deseja. Foi o que aconteceu com o teste sintático que o Ciberdúvidas apresentou na passada sexta-feira, quando quis demonstrar que o verbo sentar-se seleciona complemento oblíquo, mas não é verdade.O verbo sentar-se não seleciona complemento – nem os “testes pergunta-resposta" têm qualquer validade. O estudo da Língua é em textos da Literatura que deve procurar os seus fundamentos; nela, e não em testes forjados.
1. Maria Elisa …fazia carantonhas que “obrigaram Rosa a sentar-se de ilharga por não poder conter o riso. (Camilo, A filha do Arcediago, pag.94)
2. Esteja a seu bel-prazer e queira sentar-se — disse Elisa… (idem, p.102)3. Antes de sentar-se, perguntou-me que razão tivera eu para retirar-me (p.247)
De Agustina Bessa-Luís
4. Criara Paula com bons exemplos e mandara-a educar por freiras que a ensinaram a falar com rapazes e a sentar-se com decência e orgulho, o que é muito difícil de aprender. (Agustina, A Ronda da Noite, p.46).
5. Não voltava a sentar-se; os homens ficavam sós. (idem, p. 57)
A função sintática descrita no Ciberdúvidas como complemento do verbo sentar-se está errada; trata-se dum adjunto adverbial de lugar onde. Quanto ao adjetivo oblíquo não o encontro como designação de função sintática em nenhuma gramática fidedigna.