segunda-feira, 12 de maio de 2025

 

COMPLEMENTOS OBLÍQUOS?

Vão antes dar uma curva...

 

Ontem, o Ciberdúvidas foi a uma escola e fez a análise sintática da frase: “Os amigos do pai pegavam-lhe ao colo”.
Ao lermos esta frase, logo começámos a imaginar uma roda de amigos em que todos acarinhavam a criança que do colo do pai ia passando para os braços dos outros…

- pegavam-lhe, em quem? – Atribuamos à criança o nome de Pedrinho. Os amigos do pai pegavam o Pedrinho ao colo.
Feito isto, logo vemos que o -lhe (ou ele, ou –(n)o) só pode ser complemento direto.

Demonstremos, porque a análise sintática não se fundamenta em palpites…
Todos sabemos que as relações sintáticas entre os diversos sintagmas duma frase, mantêm entre si as mesmas dependências, tanto na voz ativa como na passiva. Ponhamos, então, a frase na voz passiva:
Ele (o Pedrinho, -lhe) era pegado ao colo pelos amigos do pai.

É de todos sabido que o sujeito da voz passiva é complemento direto na voz ativa. Para os alunos do 2.º ciclo, isto poderá fazer alguma confusão; mas os do 3.º ciclo entendem isto perfeitamente.

Se um professor não é capaz de identificar o complemento direto duma frase, vendo nela um complemento oblíquo, deixe os oblíquos e vá dar uma curva…. Os alunos agradeceriam. 

A Academia das Ciências, o Ministério da Educação e a APP são culpados disto, por não quererem ver…À sua inação se deve esta vergonha no ensino da Língua portuguesa que se vem arrastando há mais de 20 anos.

Sem comentários: