sexta-feira, 23 de maio de 2025

 

 

Uma análise evidente,

…mas talvez inesperada!

As orações infinitivas

 

O texto que segue foi retirado do romance de Machado de Assis, “Quincas Borba”

 

— O senhor para onde vai? perguntou Carlos Maria ao Freitas.

Freitas calculou que ele iria a alguma visita para os lados de São Clemente, e quis acompanhá-lo.

— Vou até o fim da praia, disse.

— Eu volto para trás, tornou o outro.

 

CAPÍTULO XXXIII

Rubião viu-os ir…

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Análise sintática desta última oração:

Rubião viu-os ir

Oração composta

 

O sujeito desta oração é Rubião; o predicado é viu-os ir.

Pensemos agora uns segundos: Rubião viu o quê?viu os (Carlos Maria e o Freitas) ir.

 

Voltemos à frase:

Suj.: Rubião; predicado: viu-os ir; complemento direto -os ir [quem vai são eles, Carlos e Freitas]. A forma “os” é de complemento. Não dizemos eu vi *eles, mas vi-os.

 

-Os (Carlos Maria e o Freitas) ir

Proposição subordinada infinitiva, substantiva

Suj.: os; predicado: ir

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Quem estudou Latim sabe que o sujeito das orações infinitivas toma a forma de complemento; o mesmo acontece em Português: o sujeito das orações infinitivas, substantivas, toma a forma de complemento.

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Agora já acharão natural a análise da frase seguinte;

 

O João viu-me sair de casa

Oração composta

Suj.: o João; predicado: viu-me sair de casa; compl. direto: -me sair de casa.[O João viu…o quê? – me (*eu) sair

 

- me sair de casa

Proposição subordinada infinitiva, substantiva

Suj.: -me; predicado: sair de casa; complemento adverbial de lugar donde: de casa.

 

Assim, também:

Estive com uma amiga; ouvi-lhe falar em política (*ela falar em política)

 – Os sujeitos das orações infinitivas, na terceira pessoa, assumem a forma de complemento, como em latim. Por isso, os pronomes pessoais nesta situação tomam a forma de complemento, assim: (vi-os ou vi-a entrar na escola);  ouvi-lhe cantar um Fado

 

Eu ouvi - *ela falar (errado) – eu ouvi-a falar (certo) – este -a é pronome pessoal (morfologia) e é sujeito (função sintática).

ouvi- *ele falar (errado) – ouvi-o falar e ouvi-lhe falar (certo). Estes  o  e este -lhe são sujeitos do verbo falar.

 

E porque é que o predicado não é ouvir falar? - porque ouvir e falar têm sujeitos próprios… Logo não formam perífrase… É assim a LÍNGUA PORTUGUESA!

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