quarta-feira, 19 de março de 2025

 

Mais um passo para a Literacia

OS APOSTOS II 

Apostos explicativos - Apostos especificativos - Apostos valorativos  

 

Em 11 de março, fizemos uma abordagem aos APOSTOS. E apresentámos os Apostos explicativos, como hoje em 1. 
 
1.       Da vida coube-lhes este quinhão amargo: o cansaço, a humilhação e a fome. (Raul Brandão, Os Pobres, p. 25)
Oração simples 
Suj.: este quinhão amargo da vida: o cansaço, a humilhação e a fome; predicado: coube-lhes; compl. indireto: -lhes. 
 
- o cansaço, a humilhação e a fome são três apostos explicativos ao sintagma nominal este quinhão amargo da vida.
Notemos que o sintagma nominal mais os seus apostos constituem uma unidade sintática (sujeito). 
 
2.       Também em 11 deste mês apresentámos os Apostos especificativos: o rio Ocreza, o vício do álcool, o escritor Eça de Queiroz, a avenida da Liberdade, a avenida Fontes Pereira de Melo… 
 
3.       Hoje mostramos os APOSTOS VALORATIVOS, uns apostos para quando pretendemos valorizar ou desvalorizar alguém: o bom do rapaz, a estúpida da vizinha… 
 
… melhor fora que o estafermo da solteirona nunca lhe tivesse aparecido (M. Torga, Os bichos, 33).
Oração composta
Suj.: que o estafermo da solteirona nunca lhe tivesse aparecido; predicado: melhor fora
 
- que o estafermo da solteirona nunca lhe tivesse aparecido
Proposição subordinada integrante, substantiva. 
 
Suj.: o estafermo da solteirona; predicado: nunca lhe tivesse aparecido; compl. indireto: -lhe 
 
O estafermo da solteirona: (a solteirona é um estafermo), aposto valorativo ou enfático – como: a sem-vergonha da vizinha… (a vizinho é uma sem-vergonha) … o malcriado do rapaz… a ordinária da vendedora 
 
O mariola do bicho nem sequer se mexeu, (Aquilino, O Malhadinhas – p. 139) – o mariola: velhaco, patife (Aquilino refere-se a um lobo) 
 
Suj.: o mariola do bicho; predicado: nem sequer se mexeu
- o mariola do bicho: é um aposto valorativo ou enfático; desempenha a função de sujeito. Como todos os apostos, constitui uma unidade sintática (um sintagma nominal).
 
nem sequer: locução adverbial (classificação morfológica) 
nem sequer se mexeu: sintagma verbal, predicado da oração.

Nota: Os temas que abordamos neste blogue estão tratados na Gramática Explicativa da Análise Sintática,  disponível em https://bit.ly/3Wtcqmu


 

sexta-feira, 14 de março de 2025

 

A caminho da Literacia

As orações não se dividem

Quando: advérbio relativo

 

Ainda de Raul Brandão, Os pobres,25)
 
Os garotos apedrejam-no quando passa pela rua, esguio, vesgo, de chapéu alto e casaca.
Oração composta
 
Suj.: os garotos; predicado: apedrejam-no; compl. direto: -o (ele, o Gabiru); adjunto adverbial de tempo: quando passa pela rua, esguio, vesgo, de chapéu alto e casaca
 
Esta oração é composta porque contém uma subordinada que indica o tempo ou a ocasião em que os garotos apedrejam o Gabiru.
 
A segunda oração quando passa pela rua, esguio… iniciada em quando, é informação do tempo, da ocasião ou da altura em que o Gabiru passa pela rua. 
 
Por isso, ela é, na oração composta, um adjunto adverbial de tempo. Mas…
- como esse adjunto apresenta forma oracional, com predicado próprio, deve ser analisada com o nome de proposição, assim: 
 
- quando passa pela rua, esguio, vesgo, de chapéu alto e casaca.
Proposição subordinada, adverbial, relativa livre.
 
Suj.: Ele (Gabiru); predicado: passa pela rua; compl. preposicionado, adverbial de lugar por onde: pela rua; predicativos do sujeito: esguio, vesgo, de chapéu alto e casaca.
 
Classifica-se, geralmente, de conjunção temporal o advérbio relativo «quando», o que é um erro, porque as conjunções só servem como elos de ligação entre orações.
Quando (no tempo em que) é um advérbio relativo, como onde (no lugar em que)e, porque não têm antecedente expresso, mas implícito, estes advérbios relativos quando e onde introduzem orações subordinadas adverbiais relativas livres.
 
O Gabiru sentiu-se aquecido, como a terra quando vem a primavera. (Raul Brandão, Os pobres, Cap. VII-Primavera)
Oração composta
 
Suj.: o Gabiru; predicado: sentiu-se aquecido como a terra quando vem a primavera; adjunto adverbial de comparação: como a terra quando vem a primavera. 
 
[Os verbos ver-se e sentir-se são verbos atributivos – logo, o atributo faz parte do predicado: sentiu-se aquecido, aqueceu, como a terra…]
 
- quando (na época em que) vem a primavera
Proposição subordinada, adverbial, relativa livre
Suj.: a primavera; predicado: vem

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1. Hoje uma professora pergunta como classificar de Lisboa no Grupo nominal cidade de Lisboa; é um aposto, como vimos no  post anterior a este, dia 11 deste mês.

2. Outra professora pergunta como classificar da arte na expressão mundo da arteNão é modificador  - mas complemento do nome. 

Modo prático de identificar os nomes preposicionados com de:  tomamos o nome preposicionado da arte. Poderemos dizer: o seu mundo, o mundo dela? Sim. Logo, da arte é complemento do nome. 

A calçada desta rua... Falando da rua, a Língua aceita: a sua calçada, a calçada desta rua?... compl. do nome.

 

 

 

terça-feira, 11 de março de 2025

 

A caminho da Literacia

Os Apostos I

O Capítulo IV do Romance OS POBRES, de Raul Brandão, tem o título de O GABIRU – e começa assim:

No último andar do prédio mora o Gabiru, um solitário filósofo, esguio e triste como um enterro.  

Oração simples

Antes da análise, devemos descobrir o sentido essencial da  frase - e descobriremos que o seu tema ou assunto é o Gabiru.Dele se diz (se predica) onde mora (no último andar do prédio).

Sujeito: O Gabiru; predicado: mora no último andar do prédio. Mas...

1. Mas, mesmo ao lado do sujeito (o Gabiru) está outro sintagma nominal (um solitário filósofo). Estes dois sintagmas nominais, postos um ao lado do outro, equivalem-se de tal modo que até poderiam permutar a sua posição, assim: No último andar do prédio mora um solitário filósofo, o Gabiru, esguio… 

Assim colocados lado a lado, e com significado equivalente, os sintgmas nominais tomam o nome de APOSTOS (apor-se: colocar-se ao lado)

esguio e triste: são dois adjetivos que nos dão informação (isto é, predicam), sobre o Gabiru. A informação principal foi dada pelo predicado: ele mora no último andar do prédio; os predicativos são informação além da do predicado: são predicados secundários.

…como um enterro: quando a conjunção como introduz um sintagma nominal sem predicado, não há oração, mas adjunto adverbial de comparação.

2. Análise sintática da oração simples:

Suj.: o Gabiru, um solitário filósofo; aposto (explicativo): um solitário filósofo; predicado: mora no último andar do prédio; complemento adverbial de lugar onde: no último andar do prédio; predicativos do sujeito: esguio e triste; adjunto adverbial de comparação: como um enterro.

3. Os apostos são sintagmas nominais que se usam essencialmente com função explicativa dum outro sintagma nominal que os preceda – e de tal modo se equivalem que podem permutar a sua posição na frase, assim: um solitário filósofo, o Gabiru, ou o Gabiru, um solitário filósofo. Mas há outro tipos de aposto - como veremos mais abaixo, em 4.

Notemos ainda: os apostos não são modificadores restritivos como por aí se diz. O aposto é sempre um nome ou sintagma nominal equivalente a SN outro que o precede (apor-se: colocar-se ao lado). O nome aposto não modifica o nome que o precede, mas explica-o; não lhe altera o sentido, não é modificador restritivo. 

     4.  São tambem apostos os nomes de rios (o rio Tejo – o Tejo é um rio) e de ruas (Avenida Ramalho Eanes) – mesmo quando ligados por preposição: Avenida de Espanha, Avenida das Forças Armadas… Largo Camões ou Largo de Camões; concelho do Fundão (o Fundão é um concelho); distrito de Castelo Branco; o autor, Aquilino Ribeiro; o vício da droga (a droga é um vício) etc…

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Seguiremos com este tema dos APOSTOS. 

Notaremos ainda que os temas de sintaxe que tratamos neste blogue estão todos mais completos, mas menos explicados, na Gramática, em  https://bit.ly/3Wtcqmu

 

sexta-feira, 7 de março de 2025

                                                          

A Caminho da Literacia 
uma análise minuciosamente explicada

É tão evidente a análise da frase de hoje que me custa saber que qualquer colega,  professor de português, possa ter dúvidas na sua análise. Mas aconteceu! No entanto, bastaria uma simples consulta ao Dicionário da Academia para abrir caminho à análise que propomos. A frase é:

Joana quis passar o dia, tranquila, a ver televisão.
Oração simples 
 
Suj.: Joana; predicado: quis passar o dia a ver televisão; compl. direto: o dia; complemento adverbial de modo: a ver televisão; predicativo do sujeito: tranquila. 
 
Nas suas múltiplas acepções do verbo passar, o Dicionário da Academia, na entrada 38: apresenta um dos seus usos mais frequentes: consumir tempo a fazer alguma coisa, de determinada maneira. E exemplifica: 
 
Passa os dias a trabalhar [consumir o quê? - compl. direto] - [de determinada maneira: modo]
[suj.: ele ou ela; predicado: passa os dias a trabalhar; compl. direto: os dias; compl. adverbial de modo: a trabalhar 
 
Passámos a tarde juntos, na praia.
Suj.: nós; predicado: passámos a tarde na praia; compl. direto: a tarde; compl. adverbial de lugar onde: na praia; predicativo do sujeito: juntos. 
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Também a Gramática da Real Academia espanhola, na sua página 2206, em 15H, apresenta a frase: Diana passou uma semana encerrada e estudando – cuja análise não propõe, mas chama a atenção para os dois elementos predicativos.  
 
A análise é: 
Suj: Diana; predicado: passou uma semana encerrada e estudando; compl. direto: uma semana; predicativos do sujeito: encerrada e estudando.

Os predicativos do sujeito, ou de qualquer complemento,  são certamente a função sintática mais produtiva na análise sintática, porque os predicativos adicionam informação à que o predicado obrigatoriamente apresenta  na frase. Foi por isso que a Gramática da Real Academia Espanhola teve o cuidado de chamar a atenção para os dois elementos predicativos desta frase. 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

 

O caminho para a literacia

O Malhadinhas de Aquilino Ribeiro é, provavelmente, o romance pícaro por excelência em língua portuguesa.

Foi dele que retirámos as frases seguinte 

 

Sentado sobre os quadris, à beirinha do caminho, estava um lobo. Tinha o topete coberto de neve, neve que acamava à maneira do solidéu dum bispo… 

1. Sentado sobre os quadris, à beirinha do caminho, estava um lobo.
Oração simples
Suj.: um lobo; predicado: estava sentado sobre os quadris; adjunto adverbial de lugar onde: à beirinha do caminho.
[sobre os quadris é o modo único de um lobo estar sentado. Não é, pois, uma informação nova, mas inerente – válida pelo aporte de imagem visual]. 
 
1.         Na análise sintática, só as unidades de sentido (os sintagmas) é que desempenham função sintática (sujeito – predicado – predicativo - complementos e adjuntos). 
 
2.         [à beirinha do caminho é um sintagma (uma unidade de sentido). A frase ficaria correta sem este SN, assim: um lobo estava sentado sobre os quadris.
Os sintagmas que não tenham de estar nas frases, embora muito úteis pela informação, não são complementos, mas adjuntos adverbiais (de lugar, ou de tempo, ou de modo, ou de causa, etc…)  [Não são modificadores como por aí se diz! Em Sintaxe não existe a função de modificador]. 
 
3.         Notemos o diminutivo como expressão de intensidade: à beirinha do caminho (muito próximo, mesmo em cima do caminho) – como: pertinho de casa; juntinhos na praia, quentinhos nas aulas…etc… 
 
2. Tinha o topete coberto de neve, neve que acamava à maneira do solidéu dum bispo. 
[topete: cabeça]
Oração composta

 Suj.: ele (o lobo); predicado: tinha o topete coberto de neve, neve que…; complemento direto: o topete coberto de neve  que...

(neve) que acamava à maneira do solidéu dum bispo.
Proposição subordinada relativa, adjetiva 

Suj.: que (antec.: neve); predicado: acamava; adjunto adverbial de modo: à maneira do solidéu dum bispo[À maneira de: locução prepositiva de modo]
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Nesta oração 2, composta, o lobo tem o topete (a cabeça) coberto de neve,
- o topete não é complemento direto. O compl. direto tem de ser o topete coberto de neve e veremos de seguida porquê.
 
Analisemos a frase aquele pássaro tem asas.  Será uma frase gramatical? Não, porque o seu predicado não é portador de informação válida.
Como todos os pássaros têm asas, essa frase não aporta informação nova, válida. As frases não portadoras de informação válida, são inúteis, são disparates, não são analisáveis no campo da Sintaxe.
Mas é gramatical, válida, a frase o pássaro tem as asas partidas 
suj. o pássaro; predicado: tem as asas partidas; compl. direto: as asas partidas. 
Esta sim, é informação válida, aporta informação nova, aceitável, útil. 
 
O lobo da frase de Aquilino não tinha o topete (a cabeça) - todos os lobos o têm. Este tinha o topete coberto de neve - este sintagma npminal é que é predicado, informação válida, útil e, logo, gramatical.
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Porque o predicado tem de ser portador de informação válida, nova é que  os verbos copulativos, que são vazios de sentido, não podem ser predicado. Têm de ter a companhia de ATRIBUTO -  e é este é que, de facto, é predicado,  porque aporta informação válida.
 
A Gramática  https://bit.ly/3Wtcqmu  na página 5 explica , exemplifica e demonstra isto mesmo com toda a clareza. 


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

 

A situação caótica do ensino da sintaxe em Portugal empurra-me para a insistência na sua denúncia e para a demonstração da sua prática – apesar de uma e outra me serem bem penosas e muito trabalhosas.

 MAS NÃO DESISTIREI.

FRASE:
«E recolherom-se dentro à cidade pessoas da comarca de arredores.»
Pergunta dum professor: «da comarca de arredores» é complemento do nome pessoas?
E a resposta: 'O constituinte «da comarca de arredores» desempenha função de modificador do nome com valor restritivo' (???)
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A ANÁLISE SINTÁTICA DA FRASE É A SEGUINTE:
«E recolherom-se dentro à cidade pessoas da comarca de arredores.»
Oração coordenada copulativa
Suj.: pessoas da comarca de arredores; predicado: recolherom-se dentro à cidade; compl. adverbial de lugar onde: dentro à cidade.
 
1.       A análise sintática é a ciência da linguagem que, numa frase, reconhece os sintagmas e identifica a função que cada um deles nela desempenha. Foi isso que nós fizemos.
2.       Não existe a função de «modificador do nome com valor restritivo». Verificamos que alguns Consultores aplicam essa mesma designação aos Apostos - mas ela não existe. É pura invenção sem lógica nenhuma.
3.       O sintagma nominal  «Pessoas da comarca de arredores» desempenha a função de sujeito.
4.       Este sintagma poderia dispensar o adjunto adverbial locativo (lugar donde) «da comarca de arredores”
Porquê?
As pessoas que se recolheram dentro da cidade (lugar onde) vieram dalguma parte. A Língua não obriga a que se diga donde elas vieram. Estamos, por isso, perante uma informação opcional – adjunto adverbial de lugar donde - que, como todos os adjuntos, interessa para a informação, mas não para a gramaticalidade da frase. Por isso, não é complemento.
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A resposta do Consultor só deveria ter sido: “da comarca de arredores” é «adjunto adverbial de lugar donde»

domingo, 9 de fevereiro de 2025

 

Ainda os verbos atributivos

 

Em A Casa Grande de Romarigães, de Aquilino, p. 95, deparei com esta frase que achei interessante para análise:

No povo, de facto, havia um ferreiro, mas era dos tais que chamam de maldição, quando têm ferro não têm carvão. 

Oração composta
No povo, de facto, havia um ferreiro, mas…

Suj.: não tem (o verbo haver é impessoal); predicado: havia um ferreiro; compl. direto: um ferreiro; adjunto adverbial de lugar onde: no povo.

- de facto, e também na verdade, no entanto… e outras locuções de tipo adverbial, são externas às orações, não fazem parte delas. Trata-se de expressões de pausa na fala.  Se retirarmos da frase essas locuções, notaremos que o sentido em nada se altera. Por isso, devem ser designadas de locuções extraoracionais.
 
- mas era dos tais que chamam de maldição
Oração coordenada adversativa
Suj.: ele (o ferreiro); predicado: era dos tais que chamam de maldição

- que chamam de maldição
Proposição subordinada relativa adjetiva
Suj.: indeterminado (eles, as pessoas): predicado complexo: chamam de maldição; complemento direto: que (os quais ferreiros).

- quando têm ferro não têm carvão
Proposição composta, adverbial explicativa

Suj.: eles (ferreiros); predicado: não têm carvão; adjunto adverbial de tempo: quando têm ferro.

- quando têm ferro
Proposição subordinada adverbial relativa livre (na altura em que…)

Suj.: eles (os ferreiros); predicado: quando têm ferro; complemento direto: ferro.
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…que chamam de maldição
Notaremos que o atributo preposicionado (de maldição) é parte do predicado. Os verbos semicopulativos, quando não plenos, são atributivos e NUNCA formam predicado sozinhos, mas sempre ligados ao atributo de que eles próprios são portadores. (Gram. Explicativa, p. 9, 10…).
 
O verbo cair é semicopulativo, porque pode ser pleno ou ser atributivo.

O santo caiu do andor.
Caiu mesmo! - verbo pleno. Suj.: o santo; predicado; caiu do andor; compl. adverbial de lugar donde: do andor.

O João caiu doente – Caiu mesmo? – não;  ficou doente sem esperar; adoeceu; não caiu. Suj.: o João; predicado: caiu doente (adoeceu). Doente é parte do predicado.

Não podemos dizer que João caiu (porque não é verdade), mas que caiu doente (predicado). Doente não á predicativo do sujeito –  faz parte do predicado, como sempre com verbos atributivos.

Em o João caiu desmaiado. [caiu mesmo! É verbo pleno]
Suj.: o João; predicado: caiu; predicativo do sujeito: desmaiado (ou: empurrado, ou bêbedo, ou atingido por um tiro…)