terça-feira, 24 de junho de 2025

 Pergunta ao Ciberdúvidas

Na frase
«O problema, dizia Benito, era que não tinha os papéis em ordem»
uma Colega pergunta
1.      - se a palavra “que” é uma conjunção subordinativa completiva com a função sintática de predicativo de sujeito;

2.      – e diz também que colegas seus consideram aquele “que” um pronome relativo, mas ela não concorda, porque não há ali um antecedente'.  (Ciberdúvidas 22-06-2025)

O Ciberdúvidas respondeu:
'Esta oração desempenha a função sintática de predicativo do sujeito e é introduzida pela conjunção subordinativa completiva que' - Tudo isto está errado. 
 
Colega professora de Guimarães
1.      As conjunções não desempenham função sintática nas frases: nunca são sujeito, predicativo, complemento ou adjunto. A única função das conjunções é iniciarem orações subordinadas (Proposições) ou servirem de ligação entre duas palavras ou frases da mesma natureza sintática. Por isso, o “que” desta frase NUNCA poderia ser predicativo do sujeito.
2.      – mais ainda: os atributos à direita dos verbos copulativos não são predicativos do sujeito.
3.      –Também a hipótese de o “que” ser pronome relativo, como a colega reconhece, é inadmissível. A frase não apresenta qualquer palavra com a qual aquele “que” se relacione como seu antecedente

 

        A análise sintática desta frase é a seguinte:

O problema era que não tinha os papéis em ordem 
Oração composta 
Suj.: o problema; predicado: era que não tinha os papéis em ordem 
 
- que não tinha os papéis em ordem
Proposição integrante, substantiva.
Suj.: ele; predicado complexo: não tinha os papéis em ordem; compl. direto: os papéis
(a frase tem intercalada uma oração parentéticadizia Benito - Suj.: Benito; predicado dizia).
 
Notas explicativas:
1.      Ter em ordem, ter em mente, ter em conta…
– O verbo ter, quando não exprime posse,  forma predicados complexos - cfr. verbos leves ou de apoio. Tratamos destes verbos em 14 de julho.
2.      O “que”, quando conjunção (integrante ou outra), não desempenha função (sujeito, complemento, predicativo...). Geralmente, inicia uma Proposição  ou liga, entre si, duas palavras ou atributos que desempenham a mesma função sintática.
3.       O que desta oração composta é conjunção integrante porque integra a oração subordinada substantiva na oração composta.
4.      Oração composta é UMA oração de que faz parte uma PROPOSIÇÃO.
5.      Proposição: é o nome que se dá a uma oração subordinada que desempenha função sintática dentro duma oração composta.
6.      A frase que analisámos é, pois, uma oração composta; dela faz parte  a proposição que não tinha os papéis em ordem.

 



terça-feira, 10 de junho de 2025

 

OS LUSÍADAS

Tese Camoniana 

Durante longos anos de trabalho sobre o Poema, e depois de ter consultado dezenas de Autores que dele disseram coisas, o meu único objetivo, ao publicar a sua versão para português atual em 2020, foi entendê-lo, e torná-lo legível e inteligível por todos os falantes da Língua portuguesa.

Um dia, porém, em que relia um qualquer dos seus feitos heroicos, apercebi-me de que, vencida uma batalha, Luís de Camões não celebrava o sucesso dos heróis, mas referia o seu agradecimento a Quem lhes tinha dado a vitória. E pareceu-me, então, que o objetivo do Poeta não era a glorificação dos heróis do Povo, mas o reconhecimento de que algo lhes estava a ser inexplicavelmente concedido (I- 25-1).

A Quem lhe(s) esta vitória permitiu

Dão louvores e graças sem medida,

Que, em casos tão estranhos, claramente

Mais peleja o favor de Deus que a gente. (Os Lusíadas, III-82)

Esta estrofe refere-se ao cerco da cidade de Santarém pelo rei de Marrocos, Ibn Yussuf, em 1184. A cidade foi descercada por D. Sancho I, a mandado de seu pai, D. Afonso Henriques que, depois do desastre de Badajoz, estava inativo. É certo que não pôde sair de Coimbra, mas D. Afonso terá sido determinante nesta vitória, já que o boato da sua vinda terá sido determinante para a fuga dos invasores.

Não há peito tão alto e tão potente

Que de desconfiança não se afronte,

Enquanto não conheça e claro veja

Que, co’o braço dos seus, Cristo peleja. (III-109 – Batalha do Salado) 

O mesmo em: IV- 45; VI-94; VIII-24; X-40, etc…

O Poema demonstra que Portugal é uma nação improvável.

Com Castela, e com todos os outros estados hispânicos, o país lutou pela independência e, surpreendentemente, venceu; contra os mouros, que dominavam o território havia mais de quatro séculos (desde 711), e que eram muito mais evoluídos tecnicamente, muito mais ricos e em muito maior número, Portugal conseguiu expulsá-los do território. Nos mares, a força dos Portugueses dominou os portos de África, criou e fixou-se na mais extensa nação da América do Sul, derrotou no Oriente as armadas egípcias, turcas e cambaicas, e exerceu lá a autoridade própria de um império.

Nem em fábulas sonhadas (X-20) seria imaginável tal poder num povo tão raro em gente.

O Poema demonstra que «Portugal agiu por determinação sua, mas que não era possível, por força sua, alcançar o domínio dos mares, a expansão territorial e a influência cultural em todo o Oriente». FOI-LHE CONCEDIDO (I-25-1).

E podemos ainda ver, só no Canto III, as estrofes 34, 43, 45, 46, 48, 54, 62, 82, 109 e 112 – como já antes as estrofes I-6; I-24 a 32, além de outras, muitas outras, até atingir a demonstração maior com a Máquina do mundo (X -91 a 142), um mapa gigantesco da presença dos Portugueses no mundo. Luís de Camões reservou para o final do Poema esta a demonstração inequívoca dum poder que está para além de um povo de reduzidos recursos e de pouca gente – e de tal modo lhe concede privilégio de demonstração que, em 64 imperativos, insiste com o leitor para que que olhe e veja,

É isto que está no Poema – é isto que eu lá vejo, ao fim de mais de 20 anos a lê-lo.                         

terça-feira, 3 de junho de 2025

 

A Língua portuguesa
está gravenente doente

1. Neste final de ano letivo, agradeço o estímulo recebido da parte daqueles que têm acompanhado os trabalhos que publiquei neste blogue, e também na Gramática Explicativa da Análise sintática, disponível no Google play. Nestes dois trabalhos  analiso e explico mais de mil orações. Que eu saiba, nunca terá sido feito trabalho tão vasto de análise sintática sobre textos da Literatura em Língua portuguesa.

    2. Este entusiasmo gramatical é já muito antigo em mim; tem orgem no estudo da Língua latina, iniciado há 76 anos. Bastante depois, como professor da Língua portuguesa, comecei a ficar surpreendido, e até chocado, com as Gramáticas com que fui deparando. Por indiferença, ou ignorância, dos responsáveis pelo ensino, o erro foi-se instalando, generalizou-se, e é hoje muito URGENTE acudir ao estado caótico em que se encontra o ensino da Língua portuguesa. Em questões de sintaxe, a Gramática da Língua portuguesa é ainda a de 1536.
É muito urgente INOVAR; é necessário dar formação gramatical correta aos nossos alunos. 

 Situações caóticas de intervenção urgente:

1.  Atualizar a noção e funcionamento das orações copulativas, que continuam erradas no ensino atual;

2. Identificar e analisar as orações semicopulativas. É inadmissível o desconhecimento destas orações, fundamentais na análise gramatical. Até no  Dicionário da Academia de Ciências (Predicativo, GRAMÁTICA,3; e  Gramática de Bechara, ed.37, p.522) estão ERRADAS. Uma vergonha!

3.    É um erro afirmar a existência de orações subordinantes, devido à ignorância dum elementar conceito de orações sintáticas.

4.  Também o modo de análise tradicional de divisão de orações tem de ser alterado, porque está errado.

O estudo da Língua portuguesa deve ter como base a frase literária, produzida pelos bons escritores de Língua portuguesa em Angola, no Brasil, em Moçambique, em Portugal, e noutros…

O Ensino da Língua portuguesa está a deixar-nos envergonhados:  na linguagem que vemos escrita nas televisões, na grafia dos comentários que todos os dias os jovens escrevem  nos telemóveis e, pior ainda, nas próprias Gramáticas. Até ao próprio Dicionário da Academia chegam as manifestações de ignorância gramatical. A Língua portuguesa merece muito mais. 




terça-feira, 27 de maio de 2025

 

Análise sintática dos versos 1 e 2

d’Os Lusíadas III-123

A Sintaxe é a ciência do sentido da Frase

Na estrofe III-123 d'Os Lusíadas. Vasco da Gama está a contar ao rei de Melinde o episódio de Inês de Castro. E é neste primeiro verso cruel que o Gama declara ao Samorim que o Rei D. Afonso IV determina tirar Inês ao mundo. 

[ao Samorim: compl. indireto; ao mundo: compl. adverbial de lugar donde, ou de origem e proveniência].

III - 123 

«Tirar Inês ao mundo determina
Por lhe tirar o filho que tem preso…

(D. Afonso IV) decide matar Inês (tirá-la ao mundo) a fim de libertar seu filho (o futuro rei D. Pedro) que ela tem preso (pelo amor)

Determina tirar: grupo verbal que não forma perífrase, porque o segundo verbo (tirar) é compl. direto do primeiro (determina). Este assunto da perífrase tratámo-lo no texto anterior (21 de maio).

No verso tirar Inês ao mundo não há qualquer complemento indireto, cujo sentido é de atribuição, como seria, por exemplo: desejamos à Ucrânia (ao mundo) a recuperação da sua paz

Neste verso, tirar Inês ao mundo, ou do mundo, estamos perante um complemento adverbial de lugar donde ou de origem, selecionado (pedido) pelo verbo tirar (tirar uma qualquer coisa ou uma pessoa dum lado para outro).

Análise sintática dos versos 1 e 2 de III-123 d’Os Lusíadas

«Tirar Inês ao mundo determina
Por lhe tirar o filho que tem preso… 
 
Oração composta
Suj.: ele (D. Afonso IV); predicado: determina tirar Inês ao mundo; complemento direto: tirar Inês ao mundo; adjunto adverbial de fim: por lhe tirar o filho que tem preso.  
 
- tirar Inês ao mundo
Proposição subordinada completiva, substantiva
Suj.: ele (o rei); predicado: tirar Inês ao mundo; compl. direto: Inês; complemento adverbial de lugar donde: ao mundo 
 
- por lhe tirar o filho que tem preso
Proposição subordinada adverbial, final
Suj.: ele (o rei); predicado: lhe tirar o filho que tem preso; compl. direto: o filho que tem preso; complemento indireto de posse: lhe (o filho dele, o seu filho, que ela tem preso 
 
- que tem preso
Proposição subordinada relativa adjetiva
Suj.: ela; predicado: tem o qual preso; compl. direto: que (o qual filho); predicativo do compl. direto: preso.

Não é a forma (ao mundo) que determina a sua função sintática, mas o contexto ou o sentido. Um mesmo sintagma (ao mundo) pode desempenhar funções várias, condicionadas pelo contexto. Desejar a paz ao mundo (compl. indireto); tirar Inês ao mundo (compl. adverbial de lugar donde – selecionado pelo verbo tirar).

 

 

 

sexta-feira, 23 de maio de 2025

 

 

Uma análise evidente,

…mas talvez inesperada!

As orações infinitivas

 

O texto que segue foi retirado do romance de Machado de Assis, “Quincas Borba”

 

— O senhor para onde vai? perguntou Carlos Maria ao Freitas.

Freitas calculou que ele iria a alguma visita para os lados de São Clemente, e quis acompanhá-lo.

— Vou até o fim da praia, disse.

— Eu volto para trás, tornou o outro.

 

CAPÍTULO XXXIII

Rubião viu-os ir…

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Análise sintática desta última oração:

Rubião viu-os ir

Oração composta

 

O sujeito desta oração é Rubião; o predicado é viu-os ir.

Pensemos agora uns segundos: Rubião viu o quê?viu os (Carlos Maria e o Freitas) ir.

 

Voltemos à frase:

Suj.: Rubião; predicado: viu-os ir; complemento direto -os ir [quem vai são eles, Carlos e Freitas]. A forma “os” é de complemento. Não dizemos eu vi *eles, mas vi-os.

 

-Os (Carlos Maria e o Freitas) ir

Proposição subordinada infinitiva, substantiva

Suj.: os; predicado: ir

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Quem estudou Latim sabe que o sujeito das orações infinitivas toma a forma de complemento; o mesmo acontece em Português: o sujeito das orações infinitivas, substantivas, toma a forma de complemento.

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Agora já acharão natural a análise da frase seguinte;

 

O João viu-me sair de casa

Oração composta

Suj.: o João; predicado: viu-me sair de casa; compl. direto: -me sair de casa.[O João viu…o quê? – me (*eu) sair

 

- me sair de casa

Proposição subordinada infinitiva, substantiva

Suj.: -me; predicado: sair de casa; complemento adverbial de lugar donde: de casa.

 

Assim, também:

Estive com uma amiga; ouvi-lhe falar em política (*ela falar em política)

 – Os sujeitos das orações infinitivas, na terceira pessoa, assumem a forma de complemento, como em latim. Por isso, os pronomes pessoais nesta situação tomam a forma de complemento, assim: (vi-os ou vi-a entrar na escola);  ouvi-lhe cantar um Fado

 

Eu ouvi - *ela falar (errado) – eu ouvi-a falar (certo) – este -a é pronome pessoal (morfologia) e é sujeito (função sintática).

ouvi- *ele falar (errado) – ouvi-o falar e ouvi-lhe falar (certo). Estes  o  e este -lhe são sujeitos do verbo falar.

 

E porque é que o predicado não é ouvir falar? - porque ouvir e falar têm sujeitos próprios… Logo não formam perífrase… É assim a LÍNGUA PORTUGUESA!

quarta-feira, 21 de maio de 2025

 

VERBOS SEMICOPULATIVOS

O verbo eleger


Com duas eleições muito recentes, a do Primeiro Ministro e a do Papa, pareceu-me oportuno demonstrar a sintaxe do verbo eleger que faz parte da lista de verbos semicopulativos, que publiquei neste meu blogue no dia 1 deste mês de maio.

Repetindo: semicopulativo é um verbo que só predica copulado a um atributo; o atributo não é predicativo: faz parte do sintagma verbal do predicado.

*O povo elegeu o Joaquim (???) – que cargo ou função terá atribuído o povo ao Joaquim? – Ninguém sabe. O verbo eleger, que é semicopulativo, tem de arrastar consigo o atributo que designa o nome do cargo ou função.

O povo elegeu o Joaquim presidente da Junta

Suj.: o povo; predicado: elegeu o Joaquim Presidente da Junta;   compl. direto: o Joaquim - Voz passiva: O Joaquim foi eleito Presidente da Junta pelo Povo.

Estarua errada a análise: suj.: o povo; predicado: elegeu o Joaquim Presidente da Junta;  compl. direto: o Joquim; *predicativo do compl. direto:Presidente da Junta. 
Presidente da Junta faz parte do sintagma verbal, pertence ao predicado, é predicado.

Vejamos isto mesmo na Literatura:

1. E, subitamente, à voz dum, que teriam eleito por maioral, levantavam em rabanada, direitos à mata… (Aquilino, A Casa Grande de Romarigães, p, 200).

-que teriam eleito por maioral  
Proposição subordinada relativa adjetiva 

Suj.: eles (os pavões); predicado: teriam eleito por maioral; complemento direto: que (antecedente: um pavão) - [eleger por maioral ou eleger maioral: predicado]

2. A guerrilha … chegou à porta do morgado de Barrimau, e a clamorosos brados, elegeram-no general. (Camilo Castelo Branco, A Brasileira de Prazins, p. 34) - 

e a clamorosos brados, elegeram-no general  
Oração coordenada copulativa

Suj.: eles, predicado: elegeram-no general; compl. direto: (n)o (o morgado de Barrimau): adjunto adverbial de modo: a clamorosos brados

3. Quando meu pai foi eleito deputado… ele veio também… (Machado de Assis, Dom Casmurro…p. 6)

Oração composta
Suj.: ele; predicado: veio também; adjunto adverbial de tempo: quando meu pai foi eleito deputado (na altura em que…)

- quando é advérbio relativo, e introduz proposições relativas livres.

Quando meu pai foi eleito deputado
Proposição subordinada adverbial, relativa livre

Suj.: meu pai; predicado: foi eleito deputado; adjunto adverbial de tempo: quando (na altura em que…; no tempo em que ele veio…).

Temos de ter em atenção que, na forma passiva, o atributo nominal (deputado) faz parte do sintagma verbal que é predicado. Foi eleito deputado é predicado, só predicado – como, na voz ativa das frases 1 e 2, o predicado é teriam eleito por maioral+compl. direto e, na 2, elegeram general+compl. direto.

quinta-feira, 15 de maio de 2025

 

Um texto de Camilo Castelo Branco

Chamar: verbo semicopulativo

- lhe: compl. direto

- quando: advérbio relativo

 

As filhas de Honorata, quando, entre si, falavam da mãe, chamavam-lhe “aquela desavergonhada” (Camilo, A Brasileira de Prazins, p. 62)
 
Oração composta
Suj.: as filhas de Honorata; predicado: chamavam-lhe “aquela desavergonhada”; complemento direto: -lhe; adjunto adverbial de tempo: quando entre si falavam da mãe.
 
- lhe, complemento direto? Sim. Vejam a forma passiva da frase:
ela era chamada “aquela desavergonhada” pelas filhas de Honorata.
 
Suj.: ela; predicado: era chamada “aquela desavergonhada”; complemento de agente da passiva: pelas filhas de Honorata.
 
- [O compl. direto da voz ativa (-lhe) é sujeito na voz passiva (ela)].
- [aquela desavergonhada não é predicativo do sujeito, mas predicado, exatamente como nos verbos copulativos].
 
 
Nota: o verbo chamar é semicopulativo; mas também é pleno, se  não for portador de qualquer aytributo, assim: chamo o aluno e ele vem;
mas, se chamo preguiçoso um aluno, o verbo tornou-se portador dum atributo (é semicopulativo) - e é o atributo que passa a ser o constituinte mais relevante do predicado, o seu núcleo semântico.
 
- quando entre si falavam da mãe
Proposição subordinada adverbial, relativa livre
Suj.: elas; predicado: falavam da mãe; complemento verbal de tema ou assunto: da mãe; adjunto adverbial de relacionamento: entre si; adjunto adverbial de tempo: quando (na altura em que…nas ocasiões em que…)
 
 
Quando não é conjunção temporal, mas advérbio relativo; significa: na altura em que, nas ocasiões em que. Por isso, introduz proposições adverbiais relativas livres, visto não ter antecedente expresso, mas implícito. 
 
Quando, onde e como, porque têm antcedente implícito, são advérbios relativos. 
 

As conjunções não têm nas frases qualquer conteúdo semântico; apenas ligam entre si as diversas unidades de sentido da frase (vejam o caso das conjunções integrantes, das cordenadas, das condicionais, das concessivas...)